O plenário do Senado concluiu nesta segunda-feira (18) a votação do projeto de lei que define novas regras para o uso das emendas parlamentares -recursos do orçamento indicados por deputados federais e senadores para suas bases eleitorais. O texto volta, agora, à Câmara dos Deputados.
O projeto de lei mantém em poder do Congresso uma fatia considerável do orçamento público e, segundo a Consultoria de Orçamentos do Senado, avança pouco em relação às exigências feitas pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
O Senado manteve o texto aprovado pela Câmara dos Deputados que prevê apenas a possibilidade de contingenciamento (quando a frustração de receitas coloca em risco o cumprimento da meta fiscal) -o que, na visão do Executivo, descumpre o acordo firmado no STF.
O governo federal queria também o poder de bloquear proporcionalmente as emendas (e não só contingenciar) quando as demais despesas obrigatórias crescerem acima do planejado pelo Executivo. A possibilidade de bloqueio foi rejeitada pelo Senado por 47 votos a 14.
O texto-base foi aprovado pelo Senado na última quarta-feira (13) por 46 votos a favor, 18 contra e 1 abstenção -em meio ao atentado em que um homem se explodiu em frente ao STF e acionou explosivos em um carro ao lado da Câmara dos Deputados.
O Congresso tem dado prioridade ao projeto de lei para tentar destravar as emendas parlamentares porque o pagamento está suspenso desde agosto pelo ministro Flávio Dino, do STF, por problemas como falta de transparência.
Integrantes do governo afirmam, reservadamente, que o Congresso descumpriu o acordo e que o texto do PL não tem mais apoio do Palácio do Planalto. Segundo um colaborador do presidente Lula (PT), a partir de agora o problema deve ser resolvido pelo Congresso diretamente com o Supremo.
O acordo firmado até aqui prevê a manutenção dos R$ 39 bilhões originalmente reservados para emendas impositivas individuais e de bancada em 2025. A partir de 2026, esse valor será corrigido pela inflação mais o percentual de expansão real do limite do arcabouço fiscal -que pode variar entre 0,6% e 2,5% ao ano.
Além disso, a negociação pactua a destinação de R$ 11,5 bilhões no ano que vem para as emendas não impositivas (cujo pagamento não é obrigatório). A partir de 2026, esse valor será corrigido pela inflação.
Assessores afirmam que o projeto não deixa claro que o montante reservado será usado apenas para o pagamento das emendas de comissão.
O relator do texto, Ângelo Coronel (PSD-BA), relator do Orçamento de 2025, também aumentou o número de emendas de bancada que podem ser indicadas conjuntamente pelos parlamentares de cada estado “de até 8” para 10, indistintamente.
Para evitar a pulverização de recursos, governo e Supremo tentavam diminuir o número de emendas de bancada -indicadas (em tese conjuntamente) pelos deputados federais e senadores de cada estado e do Distrito Federal.
No caso das emendas de bancada, a Consultoria de Orçamentos do Senado diz que o projeto de lei não barra a individualização das emendas, como exigido pelo STF, e define projetos “estruturantes” de forma ampla, o que libera “praticamente qualquer tipo de gasto”.
O projeto de lei também inova em relação às emendas de comissão, que foram turbinadas pelo Congresso com o fim das emendas de relator, em 2022. Em tese, as emendas são definidas hoje pelas comissões temáticas da Câmara e do Senado, mas, na prática, deputados e senadores influentes escolhem para onde o dinheiro será destinado sem serem identificados.
O projeto terceiriza as indicações para as lideranças partidárias e abre margem para que os parlamentares que apadrinharam as emendas continuem ocultos por meio dos líderes de seus partidos. Já as comissões, na avaliação de técnicos do Senado, passam a ser meras carimbadoras.
Senadores também rejeitaram, durante a votação dos destaques nesta segunda, um trecho do projeto de lei que obrigava os parlamentares a destinar ao menos metade das emendas de comissão para a área da saúde.
Em outro ponto problemático, na avaliação da Consultoria de Orçamentos do Senado, as “emendas Pix” vão continuar sendo repassadas diretamente para os caixas das prefeituras, sem a burocracia exigida para as demais modalidades de emendas.
Por mais que o PL obrigue o parlamentar a informar como o dinheiro deve ser gasto a partir de agora (o objeto), não há qualquer controle ou prestação de contas após o envio -o que não garante que o prefeito vai aplicar o recurso como foi indicado.
Coronel recuou, por fim, da brecha colocada por ele que, na prática, permitia que os parlamentares cortassem despesas do Executivo para turbinar as emendas sem esbarrar nos limites estabelecidos no projeto de lei, medida que abria caminho para um “superorçamento secreto”.
Com informações do Jornal de Brasília
Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.
-
Isenção do IR tem aprovação histórica na Câmara
Em votação unânime, deputados avalizam benefício para quem ganha até R$ 5 mil e taxa super-ricos. Texto segue agora para o Senado Depois de quase sete meses de tramitação, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi aprovada pelo plenário da Câmara, nesta quarta-feira à noite, por unanimidade: 493…
-
Motta aciona Itamaraty após Israel deter deputada em flotilha para Gaza
Luizianne Lins (PT-CE) estava com outros brasileiros em barco interceptado pela Marinha de Israel ao tentar levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou nesta quarta-feira (1º/10) que acionou o Ministério das Relações Exteriores assim que soube da detenção da deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) pela Marinha de…
-
Governo descarta novo Concurso Unificado em 2026a
Em entrevista ao programa Bom dia, Ministra, Esther Dweck afirmou que, para o próximo ano, está prevista a convocação de excedentes de outros concursos em andamento Às vésperas da realização das provas da segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), no próximo domingo, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck,…
-
Quem pode ser responsabilizado nos casos de intoxicação por metanol
Especialistas apontam que toda a cadeia de fornecimento de bebidas pode ser responsabilizada por intoxicações por metanol, com sanções cíveis e criminais que vão de indenizações a penas de prisão Casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas no estado de São Paulo têm gerado preocupação em todo o país. A substância…
-
Policiais penais do DF são alvo de operação que apura fraude em concurso
Cinco pessoas foram presas na manhã desta quinta-feira (2/10) em operação da Polícia Civil do DF A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2/10), a terceira fase da operação Reação em Cadeia, que investiga fraudes no concurso da Polícia Penal do DF. A ofensiva foi conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor)…
-
BRASÍLIA PRECISA VOLTAR A CUIDAR DAS PESSOAS
Brasília precisa ser tratada como a nossa própria casa: com cuidado, respeito, organização e zelo todos os dias. Hoje, infelizmente, a nossa cidade enfrenta problemas que não podem mais ser ignorados. A saúde não funciona como deveria, o transporte precisa melhorar, a educação precisa ser valorizada e os serviços públicos precisam estar preparados para atender…
-
❤️ UM JANTAR PARA FORTALECER UMA CANDIDATURA POPULAR
No dia 17 de setembro, vamos reunir amigos, companheiros e apoiadores em um jantar muito especial da nossa campanha. Estamos construindo uma candidatura popular, com os pés no chão, compromisso com Brasília e muita disposição para representar novamente o Distrito Federal na Câmara Federal. Nossa campanha recebeu R$ 182 mil do Fundo Eleitoral, um recurso…
-
Jornal TaguaCei — 5×2 já: a classe trabalhadora não pode esperar
Segundo manifestação do deputado Chico Vigilante, a luta pelo fim da escala 6×1 e pela adoção da jornada de 40 horas semanais precisa avançar. Para milhões de trabalhadores, essa não é apenas uma discussão sobre números ou horas trabalhadas: é uma questão de qualidade de vida, dignidade e respeito. A proposta que busca acabar com…











