Reportagem publicada pelo Correio Braziliense aponta que os fatores metabólicos ligados ao estilo de vida moderno estão ganhando destaque entre as principais causas do avanço do câncer de fígado no mundo. Segundo dados de um relatório divulgado pela revista científica The Lancet, cerca de 870 mil novos casos desse tipo de tumor foram registrados em 2022, e a projeção é que o número anual ultrapasse 1,5 milhão até 2050.
Historicamente associado às infecções pelos vírus das hepatites B e C, o câncer hepático passa por uma mudança no perfil dos pacientes. Atualmente, doenças relacionadas ao metabolismo, como obesidade, diabetes tipo 2, alimentação inadequada e sedentarismo, aparecem como fatores cada vez mais importantes para o desenvolvimento da doença.
Entre essas condições está a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (DHEM), caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado. A enfermidade já atinge uma parcela significativa da população adulta e pode evoluir de forma silenciosa para inflamação, fibrose, cirrose e, em alguns casos, câncer.
De acordo com especialistas ouvidos pelo Correio Braziliense, a prevenção do câncer de fígado passa cada vez mais por mudanças de hábitos. A radiologista Aline Oliveira destaca que o cenário atual representa uma transição epidemiológica, em que a doença deixa de estar predominantemente relacionada a infecções e passa a ter forte ligação com alterações metabólicas.
Segundo a médica, combater obesidade, diabetes, sedentarismo e manter acompanhamento médico regular são medidas importantes para reduzir os riscos. Ela ressalta ainda que o diagnóstico se tornou mais complexo porque alguns tumores podem surgir mesmo em pacientes sem cirrose, dificultando a identificação precoce.
Pesquisadores também investigam como fatores hormonais e alimentares podem contribuir para o agravamento das doenças hepáticas. Um estudo realizado por cientistas da Universidade Metropolitana de Osaka, no Japão, analisou a relação entre baixos níveis de testosterona e o consumo elevado de frutose, presente em diversos alimentos industrializados e bebidas açucaradas.
Em testes com camundongos, os pesquisadores observaram que a combinação desses fatores provocou maior acúmulo de gordura no fígado e alterações na microbiota intestinal. Os resultados indicaram que a interação entre metabolismo, alimentação e bactérias intestinais pode ter papel relevante no desenvolvimento da doença.
A hepatologista Natália Trevizoli explica que a associação entre baixa testosterona e excesso de frutose pode intensificar processos como resistência à insulina, inflamação e acúmulo de gordura no fígado. Segundo ela, o avanço da DHEM representa um dos grandes desafios para o futuro da saúde pública.
Além dos fatores individuais, o relatório da The Lancet também chama atenção para as desigualdades globais. Países de baixa e média renda concentram as maiores taxas de mortalidade por doenças hepáticas devido a dificuldades de acesso à vacinação, diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Especialistas estimam que uma parte significativa dos casos de câncer de fígado poderia ser evitada por meio de medidas preventivas, como controle do peso, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, redução do consumo de álcool e acompanhamento médico.
Pesquisas buscam novos tratamentos
Estudos recentes também investigam alternativas terapêuticas para doenças relacionadas ao fígado gorduroso. Pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, analisaram os efeitos do canabidiol (CBD) e do cannabigerol (CBG), compostos não psicoativos da cannabis, no tratamento da doença hepática gordurosa.
Os cientistas observaram, em modelos experimentais, que essas substâncias podem contribuir para a melhora do metabolismo hepático, reduzindo o acúmulo de gordura e estimulando mecanismos celulares de limpeza.
Apesar dos resultados iniciais, especialistas ressaltam que ainda são necessários estudos em humanos para comprovar a segurança e a eficácia desses compostos. Segundo a hepatologista Daniela Carvalho, os tratamentos com maior comprovação científica continuam sendo mudanças no estilo de vida e medicamentos já aprovados para determinados casos.
A médica destaca que a perda de peso sustentada, o controle da glicemia, a prática de exercícios e a redução do consumo de alimentos ultraprocessados são atualmente as principais estratégias para proteger a saúde do fígado.
Para as próximas décadas, o desafio será identificar precocemente pacientes em risco e ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, especialmente diante do crescimento das doenças metabólicas em todo o mundo.
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



