A América Latina voltou a ocupar posição estratégica na disputa por influência entre China e Estados Unidos, em meio à expansão da presença econômica chinesa e à tentativa do governo de Donald Trump de reforçar a influência norte-americana no Hemisfério Ocidental. O cenário envolve comércio, infraestrutura, minerais estratégicos, energia e tecnologia, segundo informações publicadas pelo Metrópoles.
Ao receber o presidente do Equador, Daniel Noboa, em Pequim, na terça-feira (18), o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que os países latino-americanos e caribenhos devem ter liberdade para escolher seus parceiros de cooperação.
A declaração ocorre em um momento de crescente disputa por influência na região. A rivalidade entre as duas maiores potências econômicas do mundo deixou de se concentrar apenas nas relações comerciais e passou a envolver portos, redes de telecomunicações, projetos de energia, exploração mineral, infraestrutura logística e tecnologias estratégicas.
Para Allan Gallo, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie e coordenador do Núcleo de Estudos sobre a China (NECH), a atual competição se diferencia da rivalidade ideológica do século passado.
Segundo o especialista, a disputa envolve principalmente infraestrutura, cadeias de suprimentos e padrões técnicos, com atenção a estruturas utilizadas para transporte de mercadorias, transmissão de dados e exploração de recursos naturais.
EUA reforçam discurso sobre o Hemisfério Ocidental
Enquanto a China defende publicamente a autonomia dos países latino-americanos para estabelecer suas parcerias, o governo de Donald Trump vem adotando um discurso mais assertivo sobre a influência dos Estados Unidos nas Américas.
Na última semana, o Departamento de Estado norte-americano divulgou um vídeo afirmando que o domínio dos Estados Unidos sobre as Américas “nunca mais será questionado”.
A postura acompanha declarações e medidas do governo Trump que recolocaram a Doutrina Monroe no centro do debate sobre a política externa norte-americana.
China amplia presença na América Latina
A presença chinesa na América Latina cresceu especialmente a partir da década de 2010, quando Pequim ampliou investimentos e financiamentos destinados a projetos de infraestrutura na região.
Durante a visita de Noboa, China e Equador reforçaram a cooperação dentro da Iniciativa Cinturão e Rota, conhecida como Nova Rota da Seda.
Xi Jinping defendeu projetos conjuntos nas áreas de energia, minerais, infraestrutura e finanças, além de cooperação em economia digital, desenvolvimento verde, novas energias e inteligência artificial.
Para Allan Gallo, a expansão chinesa ocorreu inicialmente em um cenário de demanda por investimentos em infraestrutura que não estava sendo atendida por outras potências.
Segundo o professor, a China responde atualmente por cerca de 13% das exportações e 22% das importações da América Latina e já superou os Estados Unidos como principal parceiro comercial da América do Sul.
Tarifas colocam região no centro da disputa
A política comercial de Trump também se tornou uma ferramenta de pressão sobre países latino-americanos.
O Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) em 27 de julho para contestar sobretaxas impostas pelos Estados Unidos. O processo questiona uma tarifa adicional de 25% e outra sobretaxa de 12,5% relacionada a uma investigação sobre suposto uso de trabalho forçado.
Somadas, as medidas podem elevar a tarifa sobre determinados produtos brasileiros a até 37,5%.
Washington aceitou o pedido brasileiro para iniciar consultas na OMC e informou estar disposto a discutir o assunto com representantes do governo brasileiro.
A disputa ganhou uma dimensão adicional depois que a China solicitou participação nas consultas entre Brasil e Estados Unidos. Pequim afirmou ter “interesse comercial substancial” no caso e argumentou que as medidas norte-americanas relacionadas à investigação sobre trabalho forçado também atingem produtos chineses vendidos nos Estados Unidos.
Os Estados Unidos também acusaram Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Peru de integrarem os chamados “corredores latino-americanos” de uma suposta rede de triangulação de produtos chineses.
América Latina ganha importância estratégica
Para Vitor de Pieri, professor e especialista em geografia humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o aumento da importância da América Latina está relacionado à transformação da ordem internacional.
A região passou a ter relevância não apenas como fornecedora de matérias-primas, mas também nas cadeias globais de alimentos, energia, minerais críticos, infraestrutura, logística, tecnologia e transição energética.
Apesar da ampliação da presença chinesa, Pequim apresenta oficialmente sua política para a região com base em conceitos como cooperação Sul-Sul, multipolaridade, soberania e não intervenção.
Isso não elimina os interesses estratégicos chineses. O país busca ampliar mercados e garantir acesso a energia, alimentos, minerais e espaços para suas empresas e cadeias produtivas.
Nesse cenário, a América Latina passa a ocupar uma posição cada vez mais relevante na disputa por influência entre China e Estados Unidos, enquanto os países da região enfrentam o desafio de administrar relações econômicas e políticas com as duas maiores potências.
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



