As manifestações contra o PL da Anistia e a PEC da Blindagem causaram reações de políticos da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e favoráveis aos temas. Um dos que se manifestou foi o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto que pretende reduzir penas dos condenados pela tentativa de golpe. Afirmou que os atos contra a anistia não o farão mudar a proposta, que tramita em urgência. Inicialmente chamada de PL (projeto de lei) da Anistia, passou a ser denominada “PL da Dosimetria”, pela relação com o tamanho das penas.
“Não vi as manifestações. Foram grandes? Essas manifestações viraram mais do mesmo. Vamos nos manter firmes no nosso propósito de apresentar um relatório até terça-feira à noite ou quarta pela manhã”, disse. A expectativa é de que a proposta seja votada até a próxima semana.
Paulinho tem uma bateria de reuniões para hoje e amanhã, em Brasília, quando pretende se reunir com a maior parte dos líderes partidários, de governo e oposição, para discutir o texto. “Estamos convencidos de que reduzir as penas pode pacificar o país, na medida que atenderemos a maioria da população”, afirmou. O relator já deixou claro que uma anistia “ampla, geral e irrestrita” está fora de cogitação. O caminho é oferecer alguma redução de pena, inclusive para Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão.
O PL, partido do ex-presidente, é contra uma redução de penas sem anistia aos condenados por tentar um golpe de Estado e por participação nos ato de 8 de Janeiro. Já o PT e forças governistas são contra aliviar as condenações impostas pelo Poder Judiciário nesses casos. Com as manifestações realizadas em pelo menos 10 capitais, os integrantes da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acreditam que a tramitação de propostas como a da anistia e PEC da Blindagem vão perder tração.
Na semana passada, Paulinho teve um encontro com o deputado e ex-presidente da Câmara Aécio Neves (PSDB-MG), e com o ex-presidente Michel Temer para as primeiras costuras do “PL da Dosimetria”. A proposta, porém, foi duramente atacada por dois dos filhos de Bolsonaro, o senador Flávio (PL-RJ) e o deputado Eduardo (PL-SP) — que, inclusive, ameaçou o relator pelas redes sociais ao adverti-lo de que pode ser sancionado pelos Estados Unidos.
Ironias
Nas redes sociais, políticos ligados ao ex-presidente ironizaram as manifestações. Tal como o senador Flávio, que repostou uma publicação do pastor Silas Malafaia com uma foto da Avenida Paulista, na qual o religioso escreveu: “Só rindo muito (…) fotos fechadas, show de artistas para levar gente para a rua. Faz como nós fazemos: imagens de cima feita por drone e fotos tiradas de cima, não de paralela à multidão. Esquerda cretina que engana o povo!”.
Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) postou um vídeo com imagens aéreas da mesma avenida em São Paulo, que mostra uma multidão mais dispersa no local. Como legenda, escreveu: “Nem com a Rouanet vingou”, disse, fazendo referência à lei de incentivos fiscais para projetos e ações culturais. O parlamentar, porém, desinforma, pois não se presta a bancar manifestações de cunho político. Da mesma forma, a legislação não patrocina nenhum evento, mas, sim, concede incentivos tributários aos financiadores de shows, apresentações circenses e peças teatrais, por exemplo.
Nikolas ainda respostou uma publicação do vereador de Belo Horizonte Pablo Almeida (PL), com um vídeo da manifestação na capital mineira seguida da legenda: “Aqui em BH, a esquerda honrou sua tradição e fez mais uma manifestação com os poucos de sempre”.
Já o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-AL) ironizou a participação do cantor e compositor Caetano Veloso no ato em Copacabana. Em uma imagem publicada na mesma rede social, o parlamentar mostra o artista como um defensor da Lei da Anistia em 1979, no fim da ditadura militar, mas contrário ao projeto atual de anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro. Ainda no X, o deputado por Goiás Gustavo Gayer, também do PL, repostou um vídeo com imagens da manifestação em Brasília ainda no começo, que também mostra uma multidão dispersa ao lado do Museu da República. “Sempre passando vergonha”, escreveu o parlamentar.
Com informações do Correio Braziliense
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