Documentos indicam participação de Ibaneis em tratativas sobre compra do Master pelo BRB

Ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha aparece em fotografia oficial utilizada para ilustrar reportagem sobre as tratativas envolvendo o BRB e o Banco Master.
Crédito da foto: Renato Alves/Agência Brasília

TaguaCei — Documentos relacionados ao caso Banco Master, obtidos pelo Fatos Online, registram conversas e movimentações que, segundo a apuração, indicariam a participação do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha nas discussões envolvendo a aquisição do banco pelo BRB. Os registros incluem comunicações atribuídas a Ibaneis e ao banqueiro Daniel Vorcaro durante o período em que avançavam as tratativas entre as duas instituições.

Segundo o material divulgado, registros extraídos do celular de Vorcaro apontariam discussões sobre etapas, estratégias e condições relacionadas à operação. As informações são apresentadas em um momento em que diferentes versões sobre o grau de envolvimento de autoridades nas negociações estão sendo analisadas.

O próprio Vorcaro afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que conversou algumas vezes com Ibaneis sobre a proposta de aquisição do Banco Master. Segundo o banqueiro, os encontros ocorreram em caráter institucional e incluíram uma visita à casa de Ibaneis.

Ibaneis, por sua vez, nega ter mantido conversas diretas com Vorcaro sobre a operação. Ao Jornal de Brasília, o ex-governador afirmou que as mensagens apresentadas seriam prints de uma conversa que ele teve com outra pessoa e que posteriormente teriam sido encaminhados a um terceiro, possivelmente Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB.

Na versão apresentada por Ibaneis, ele teria atuado no campo político e jurídico depois de receber informações de Paulo Henrique Costa de que a operação seria positiva para o banco público e para Brasília. O ex-governador também afirmou que não trocou mensagens diretamente com Vorcaro.

A documentação também coloca em discussão a participação do então presidente do BRB na condução das negociações. Os registros citados pelo Fatos Online são apresentados como elementos que podem ajudar a esclarecer quem participou das diferentes etapas da operação.

Relação com a Reag

Outro ponto mencionado na apuração envolve a Ibaneis Advocacia e Consultoria, que firmou, em maio de 2024, contrato com o Reag Legal Claims, posteriormente denominado Pedra Azul FIDC. O acordo envolvia direitos sobre honorários de precatórios com valor de face de R$ 38,1 milhões, segundo os documentos citados pelo Fatos Online.

O fundo tinha ligação com a Reag, instituição posteriormente submetida à liquidação extrajudicial pelo Banco Central. O negócio foi realizado em período no qual o BRB ampliava sua relação comercial com o Banco Master.

Ibaneis já afirmou anteriormente que está afastado do escritório de advocacia desde 2018 e que não possui informações sobre negociações realizadas anos depois de seu afastamento.

Investigações

As relações entre o BRB e o Banco Master estão no centro de investigações que apuram operações financeiras realizadas entre as instituições. O caso também chegou ao Supremo Tribunal Federal e envolve diferentes agentes públicos e privados.

Em janeiro deste ano, Vorcaro já havia relatado à Polícia Federal que conversou com Ibaneis sobre a possível aquisição do Master pelo BRB. O ex-governador, contudo, afirmou em outra ocasião que nunca havia tratado sobre operações bancárias com o banqueiro e que confiava nas informações repassadas pelo então presidente do BRB.

Durante comício realizado em Ceilândia em 16 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também fez críticas à relação entre Ibaneis e Vorcaro e atribuiu a eles responsabilidade pela crise envolvendo o BRB. A declaração foi feita em contexto eleitoral e representa uma avaliação política do presidente, não uma conclusão judicial sobre responsabilidade pelo caso.

Os novos documentos mencionados pelo Fatos Online deverão ser considerados no conjunto de elementos que vêm sendo analisados pelas autoridades responsáveis pelas investigações. A existência de registros de comunicação, por si só, não estabelece eventual responsabilidade criminal pelos fatos investigados.

Fonte: Jornal de Brasília

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Artigos Relacionados:
Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *