TaguaCei — O Distrito Federal registrou 55 mortes de motociclistas em acidentes de trânsito entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados do Departamento de Trânsito (Detran-DF). Apesar da redução em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 72 vítimas fatais, os números continuam preocupando especialistas e autoridades. O cenário também foi abordado pelo TaguaCei em reportagem sobre os acidentes envolvendo motociclistas e o crescimento das mortes no trânsito do DF.
De acordo com o levantamento, nos oito primeiros meses deste ano foram registradas 71 ocorrências envolvendo motocicletas com mortes de condutores. Em 2025, no mesmo intervalo, foram 78 sinistros, que resultaram em 72 motociclistas mortos. Ao longo de todo o ano passado, o DF contabilizou 119 ocorrências fatais envolvendo motos e 105 motociclistas mortos.
A redução dos indicadores não elimina a preocupação com a segurança de quem utiliza esse tipo de veículo. A professora de engenharia civil da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em segurança viária Michelle Andrade aponta que fatores como velocidade inadequada, baixa visibilidade dos motociclistas para outros condutores e problemas na infraestrutura das vias contribuem para os acidentes.
Segundo a especialista, desníveis no asfalto e falhas na geometria de cruzamentos também podem aumentar os riscos. Ela destaca que os acidentes não devem ser atribuídos exclusivamente ao comportamento dos motociclistas ou dos motoristas, pois diferentes fatores se combinam nas ocorrências.
Trabalhadores estão entre os mais vulneráveis
O Centro de Trauma do Hospital de Base do Distrito Federal é referência no atendimento a vítimas de acidentes com motocicletas na rede pública de saúde. Segundo a unidade, em 2025, a maioria dos pacientes envolvidos nessas ocorrências era formada por trabalhadores entre 25 e 40 anos que utilizavam a moto como instrumento de trabalho, principalmente entregadores.
Michelle Andrade ressalta que a rotina profissional pode aumentar a exposição aos riscos. Jornadas prolongadas, pressão por entregas rápidas e muitas horas de circulação nas ruas estão entre os fatores que precisam ser considerados nas políticas de prevenção.
A professora também alerta que os acidentes podem provocar consequências graves para quem sobrevive. As lesões atingem principalmente regiões como crânio, tórax, pernas e braços, podendo exigir cirurgias, longos períodos de recuperação e mudanças na rotina das vítimas.
A gerente de Ação Educativa do Detran-DF, Magda Brandão, reforça a importância do uso correto dos equipamentos de proteção. O capacete deve estar devidamente afivelado, com a viseira abaixada e dentro do prazo de validade. Jaquetas resistentes, luvas e calçados fechados também ajudam a reduzir os impactos em caso de queda.
Debate sobre a Faixa Azul
Em maio, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou o Projeto de Lei nº 2.685/2022, de autoria do deputado distrital Fábio Félix (PSol), que estabelece diretrizes para a implantação da chamada Faixa Azul para motociclistas. A proposta busca organizar a circulação e ampliar a proteção dos condutores. A frota de motocicletas do DF supera 259 mil veículos.
O projeto foi encaminhado ao Executivo para análise. A iniciativa, porém, divide opiniões entre especialistas em mobilidade e segurança viária.
O professor de engenharia de tráfego da UnB Paulo César Marques da Silva avalia que ainda são necessários estudos mais aprofundados sobre os resultados da medida. Segundo ele, os primeiros relatórios acompanhados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) não indicam, até o momento, efeitos conclusivos de aumento da segurança.
O especialista defende que as políticas de prevenção também considerem a segurança de pedestres e ciclistas, além dos motociclistas.
Para reduzir as mortes no trânsito, especialistas apontam a necessidade de ações permanentes de fiscalização, educação, melhoria da infraestrutura e conscientização. A orientação aos motociclistas inclui respeitar os limites de velocidade, manter distância segura dos demais veículos, evitar distrações e realizar a manutenção preventiva da motocicleta.
Fonte: Correio Braziliense



