GDF pede ao STF que BRB seja reconhecido como vítima no caso Banco Master

Fachada do prédio do Banco de Brasília (BRB), instituição pública do Distrito Federal envolvida nas investigações sobre operações financeiras com o Banco Master.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

TaguaCei — O Governo do Distrito Federal (GDF) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (5/11), que o Banco de Brasília (BRB) e o próprio governo sejam reconhecidos como vítimas no inquérito que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master. A Procuradoria-Geral do DF também solicitou que mais de R$ 2,2 bilhões bloqueados em contas de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sejam transferidos aos cofres públicos do Distrito Federal. O pedido ocorre em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal sobre as operações entre o BRB e o Banco Master.

No documento encaminhado ao STF, a Procuradoria-Geral do DF argumenta que recursos obtidos por meio de práticas ilegais devem ser utilizados para reparar os prejuízos das vítimas. Segundo os procuradores, embora Henrique Vorcaro não tenha participado diretamente das negociações envolvendo o BRB, ele integraria uma suposta rede criminosa relacionada ao esquema investigado.

A Procuradoria defende que a restituição dos valores possa beneficiar vítimas do esquema mesmo sem o rastreamento individualizado de cada quantia desviada. O governo também aponta os impactos da crise financeira do BRB sobre a população do Distrito Federal, especialmente os beneficiários de programas sociais.

Henrique Vorcaro está preso preventivamente desde maio, suspeito de integrar um núcleo de coerção e intimidação investigado no caso. Seu filho, Daniel Vorcaro, é o ex-controlador do Banco Master e também está entre os investigados.

Crise do BRB e investigação

A crise enfrentada pelo BRB está relacionada às operações realizadas com o Banco Master. Em março de 2025, a instituição pública anunciou a intenção de adquirir parte do banco privado, mas a operação não foi concluída.

No fim de outubro de 2026, a Polícia Federal indiciou 15 pessoas suspeitas de participação em condutas ilegais relacionadas às negociações. Entre os indiciados estão Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e antigos diretores das duas instituições.

As investigações apontam possíveis irregularidades na aquisição de carteiras de crédito e na gestão das operações. A PF também identificou alertas internos sobre falhas em aproximadamente 90% da carteira de crédito recebida do Banco Master.

O GDF é o acionista controlador do BRB e, por isso, tem responsabilidade sobre a instituição. O banco público precisa cumprir as normas do sistema financeiro e manter níveis adequados de capital.

O pedido de reconhecimento do BRB e do governo como vítimas, assim como a transferência dos valores bloqueados, ainda depende de análise do Supremo Tribunal Federal.

Fonte: g1 DF

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