A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (23/4) o fim da Lei de Anistia, que previa a libertação de pessoas presas por crimes relacionados a fatos políticos no país.
Em declaração no Palácio de Miraflores, transmitida pela TV estatal, Rodríguez afirmou que a medida “chega ao fim” e indicou que os casos não contemplados poderão ser tratados por outros instrumentos institucionais. “Há outros espaços onde podem ser encaminhados”, disse.
Novos mecanismos
- Segundo a presidente interina, os processos pendentes poderão ser analisados por iniciativas como o Programa de Convivência Democrática e Paz, e pela recém-criada Comissão Nacional para a Reforma da Justiça Penal.
- A Lei de Anistia para a Convivência Democrática havia sido aprovada em fevereiro pela Assembleia Nacional e previa a libertação de centenas de pessoas investigadas ou condenadas ao longo de quase três décadas de chavismo.
- A proposta foi impulsionada após a prisão do líder chavista Nicolás Maduro, detido em uma operação militar dos Estados Unidos no início de janeiro.
Desde sua criação, a lei foi alvo de críticas por parte de organizações de direitos humanos e setores da oposição, que apontavam limitações no alcance da medida.
Embora o texto previsse abrangência entre 1999 e 2026, na prática a aplicação ficou restrita a episódios específicos de crise política, deixando de fora diversos casos, especialmente aqueles relacionados a ações militares ou acusações mais graves.
A organização Foro Penal destacou que muitos detidos não foram beneficiados. Segundo a entidade, apenas uma parcela das libertações registradas nos últimos meses ocorreu diretamente por meio da anistia.
Já o deputado Jorge Arreaza, genro do ex-presidente Hugo Chávez, afirmou que mais de 8 mil pessoas foram libertadas ou tiveram medidas cautelares revistas desde a implementação da lei — número contestado por organizações independentes.
Divergências sobre resultados
Dados divulgados pelo Foro Penal indicam números menores. A ONG aponta que, desde janeiro de 2026, houve 768 libertações de presos políticos, sendo apenas 186 diretamente relacionadas à anistia.
Para o vice-presidente da organização, Gonzalo Himiob, a falta de transparência dificulta a verificação dos números oficiais. Já o diretor da entidade, Alfredo Romero, afirmou que a medida acabou funcionando como um “funil” que retardou a libertação de detidos.
Lideranças opositoras também criticaram a iniciativa. O ex-deputado Juan Pablo Guanipa classificou a lei como “incompleta” e defendeu que a libertação de presos políticos depende mais de vontade política do que de instrumentos legais.
Com informações do portal Metrópoles
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