Em ano de eleições presidenciais, o banqueiro central disse que a instituição seguirá com o compromisso de controlar a inflação por meio da taxa Selic
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, participou de um almoço organizado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) nesta segunda-feira (24/11), que também contou com a participação de ministros do governo, como Simone Tebet, do Planejamento, Esther Dweck, da Gestão, e Wolney Queiroz, da Previdência.
Durante uma exposição, Galípolo sinalizou que o BC deve resistir a pressões do Executivo para reduzir os juros, se considerar necessário.
“Ele (o BC) vai sempre perseguir o seu mandato e vai fazer o que for necessário, como a gente fez agora ao colocar a taxa de juros em um patamar restritivo, com alguma segurança, e permanecer nesse patamar restritivo para induzir e produzir a convergência da inflação para a meta”, destacou o presidente do BC.
“E ainda estamos insatisfeitos, porque a gente ainda não está onde a gente gostaria de estar. Então, por isso que a gente está em um patamar restritivo”, acrescentou.
Além da pressão do governo, Galípolo ainda tratou sobre a comunicação do Banco Central, destacando que a instituição deve lidar com diversos “trade-offs” (consequências de escolhas), ao mesmo tempo em que deve desconstruir o que chamou de “meias-verdades” sobre a situação atual da política monetária.
“Zagueiro”
O chefe da autoridade monetária ainda fez uma analogia sobre a posição do BC na economia e a escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo seu nome em 2024.
“O Banco Central é essa figura sempre com receio. É, por definição, o primeiro dos pessimistas e o último dos otimistas. Quando o presidente Lula me convidou, eu falei: ‘O senhor tem consciência de que eu sou o zagueiro, eu sou a última linha de defesa. De mim a bola não pode passar’”, disse Galípolo.
“Esse é o papel do Banco Central. E se o BC fizer o papel dele bem feito, provavelmente vai ser acusado pelos dois lados pelo que está fazendo”, acrescentou.
O Boletim Focus, publicado nesta segunda-feira pelo Banco Central, revela que o mercado voltou a reduzir a projeção para a taxa de juros nos próximos anos. Apesar de manter inalterada em 15% para 2025, a expectativa para o ano seguinte passou de 12,25% para 12%. Já para 2028, a percepção média dos agentes saiu de 10% para 9,75%.
Originalmente publicado em Correio Braziliense
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