Chanceler afirma que governo Lula negocia acordos do Mercosul com Canadá, Reino Unido, Vietnã, Japão e Emirados Árabes Unidos
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil trabalha para diversificar seus parceiros comerciais, fornecedores estratégicos e mercados de exportação em meio ao aumento das tensões internacionais e à reorganização das cadeias globais de suprimento.
Em entrevista exclusiva ao Valor Econômico, Vieira disse que o governo do presidente Lula busca ampliar relações com todas as regiões do mundo, sem alinhamento automático a grandes potências. “O objetivo externo brasileiro é manter contatos, manter um mundo pluripolar, multipolar. Nós não queremos ser aliados a ninguém unicamente, a um grupo, e não queremos também ter nossa área de ação limitada ao nosso continente”, afirmou.
Segundo o chanceler, Índia, Coreia do Sul e Japão demonstraram interesse recente em importar petróleo brasileiro, enquanto países da Ásia Central aparecem como alternativas para ampliar o fornecimento de fertilizantes ao Brasil. “A questão de Ormuz mostrou a todos que não se pode estar dependendo de um só fornecedor”, disse Vieira, em referência ao Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia e insumos.
O ministro também relatou avanços nas conversas do Mercosul com Canadá, Reino Unido, Vietnã, Japão e Emirados Árabes Unidos. Sobre o Japão, afirmou que há diálogo para uma aproximação comercial com o bloco. “Um acordo comercial. Não posso chamar de livre comércio, porque é uma coisa difícil, complexa”, declarou.
Vieira ressaltou ainda que o Brasil pretende preservar o interesse nacional nas negociações sobre terras raras. “Nós sempre dizemos que estamos abertos a conversar e sempre tendo em mente o interesse nacional, que é de agregar valor à matéria-prima no Brasil”, afirmou.
Sobre os Estados Unidos, o chanceler disse que as negociações continuam em andamento e rejeitou a ideia de exclusividade americana na exploração de terras raras. “Eles têm interesse, mas exclusividade não. Nós queremos conversar com todos, não queremos exclusividade”, afirmou.
Questionado sobre uma possível reunião entre Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e o senador Flávio Bolsonaro, Vieira evitou polêmica. “Ele não é o governo, ele é um candidato”, disse.
O chanceler também defendeu a reforma da ONU, da OMC e de outras instituições multilaterais. Para ele, a Organização Mundial do Comércio é essencial para países que dependem de regras e previsibilidade no comércio internacional. “É uma arma, um instrumento de previsibilidade para o comércio internacional”, afirmou.
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