Dólar sobe e Bolsa cai com dados de emprego mais fortes que o esperado nos EUA

O dólar está em leve alta nesta quinta-feira (25), com investidores digerindo dados acima do esperado nos Estados Unidos e novas projeções econômicas divulgadas pelo BC (Banco Central) mais cedo.

O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) de setembro também está de pano de fundo nas negociações.

Às 13h21, a moeda avançava 0,41% e estava cotada a R$ 5,348. Já a Bolsa recuava 0,1%, a 146.335 pontos.

O número de norte-americanos que entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego caiu na semana passada. O relatório do Departamento do Trabalho indicou que os pedidos caíram em 14 mil, para 218 mil, ante expectativa de economistas consultados pela Reuters de 235 mil.

A leitura do mercado é que, ainda que as empresas estejam mantendo seus funcionários empregados, elas permanecem relutantes em aumentar as contratações, considerando as incertezas provocadas pela política comercial protecionista do governo Donald Trump.

A fraqueza na demanda por novos funcionários corroeu a resiliência do mercado de trabalho —principal causa para o corte de juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) em 0,25 ponto percentual na semana passada.

A repressão à imigração também reduziu a oferta de mão de obra, contribuindo para conter o crescimento do emprego.

Ao mesmo tempo, a manutenção de empregos acima do esperado endossa a postura de cautela do Fed, reforçada pelo presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, em discurso na terça-feira.
Segundo ele, os diretores da autoridade monetária estão em uma sinuca de bico: ou priorizam o combate à inflação, ou protegem empregos.

Se a taxa de juros for afrouxada “de forma muito agressiva”, corre-se o risco de “deixar o trabalho da inflação inacabado e precisar reverter o curso” novamente, a fim de levá-la à meta de 2%. Por outro lado, manter as taxas restritivas por muito tempo significaria que “o mercado de trabalho poderia enfraquecer desnecessariamente”.

“Os riscos de curto prazo para a inflação estão inclinados para cima e os riscos para o emprego para baixo — uma situação desafiadora”, disse Powell em Rhode Island. “Quando nossos objetivos estão em tensão como esta, nossa estrutura nos chama para equilibrar ambos os lados de nosso mandato duplo.”

Além disso, o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA cresceu a uma taxa anualizada revisada para cima de 3,8% no segundo trimestre. O percentual representa uma elevação ante a estimativa anterior, de 3,3%.

“O conjunto desses indicadores sugere que o Fed não tem tanto espaço para corte de juros assim e que a economia norte-americana continua desacelerando a um passo muito sutil, muito gradual”, comenta Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.

A leitura de que não há pressa para mais reduções na taxa de juros está favorecendo o dólar globalmente. No índice DXY, que compara a força da moeda a outras seis divisas pares, a subida era de 0,48%, a 98,35 pontos.

Até essa semana, o mercado, segundo a estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, estava firme na ideia de que o Fed cortaria os juros mais três vezes no curto prazo —duas esse ano e outra em 2026.

“Essa leitura impulsionou muitos ativos, já que uma taxa mais baixa nos EUA desestimula que investidores tenham caixa em dólar e os leva a buscar proteção e risco em outros mercados”, afirma.

O recálculo de rota leva ao retorno dos operadores à moeda e aos títulos ligados ao Tesouro americano, os treasuries.

Em resposta aos novos dados, o dólar apagou as baixas no Brasil vistas na abertura, deixando em segundo plano as divulgações de mais cedo.

O BC informou, por meio do Relatório de Política Monetária, que reduziu as projeções de crescimento do PIB em 2025, de 2,1% para 2,0%. Além disso, estimou em 1,5% a expansão da economia em 2026. “A ligeira redução decorre dos efeitos, ainda incertos, do aumento das tarifas de importação pelos Estados Unidos, bem como de sinais de moderação da atividade econômica no terceiro trimestre”, disse o BC no documento.

A comunicação do BC, na visão de Leonel Mattos, da StoneX, segue em um tom firme. “O BC reforça que as expectativas inflacionárias para o Brasil continuam muito elevadas, embora tenham tido um modesto progresso recentemente, e que a dinâmica inflacionária também continua muito aquecida, inviabilizando a possibilidade de corte de juros”, avalia.

Nessa toada, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial do país pelo tempo de coleta, subiu 0,48% em setembro, abaixo da estimativa de 0,51% dos economistas em pesquisa da Reuters.

Segundo Mattos, a moderação na inflação em tese ajuda nas apostas de cortes para a taxa Selic, hoje em 15% ao ano. “Mas o BC segue muito coerente e firme na mensagem de que um progresso pontual não é o suficiente. É preciso observar um processo consolidado de vários meses consecutivos antes de considerar cortes na taxa Selic.”

Com informações do Jornal de Brasília

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