O advogado-geral da União, Jorge Messias, deve enfrentar uma sabatina no Senado marcada pelo debate sobre a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), com destaque para o caso Banco Master. Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ele pretende defender padrões éticos para magistrados e evitar mencionar diretamente ministros da Corte durante a sessão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
As informações foram publicadas pela jornalista Jussara Soares, da CNN Brasil. Segundo a reportagem, Messias avalia que o ambiente da sabatina será dominado por questionamentos sobre o desgaste do STF, especialmente diante de investigações envolvendo o Banco Master e supostas conexões com integrantes da Corte.
Estratégia para evitar confronto direto
De acordo com interlocutores, Messias está preparado para responder às críticas da oposição, que promete uma sabatina rigorosa. A estratégia, no entanto, será não personalizar as discussões nem fazer referências diretas a ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que devem ser citados por senadores em questionamentos relacionados ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O objetivo é evitar constrangimentos com possíveis futuros colegas no STF. Nesse contexto, Messias deve enfatizar princípios gerais de conduta e defender que padrões éticos orientem a atuação dos magistrados, sem entrar em críticas individuais.
Código de ética e trajetória na AGU
Durante a sabatina, o advogado-geral da União também deve destacar sua experiência à frente da AGU, onde implementou um código de ética aplicado a cerca de 8 mil advogados públicos. A medida deve ser usada como exemplo de sua visão institucional sobre integridade e governança.
A discussão ocorre em paralelo a um movimento dentro do próprio STF, onde o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, propôs a adoção de um código de ética para os magistrados.
Apoio político e cenário de votação
Relator da indicação, o senador Weverton Rocha (PDT-MA) afirmou à CNN Brasil que acredita em um cenário favorável para Messias. “Messias, eu calculo que tem um piso de 44 votos. Estou muito confiante, porque ele saiu da bolha e conseguiu pedir apoio além do governo e do PT. Nesses quatro meses, ele conversou com muita gente”, declarou.
Para ser aprovado no plenário do Senado, o indicado precisa de pelo menos 41 votos. A sabatina na CCJ está marcada para as 9h da quarta-feira (29), e, caso avance, a indicação segue para votação final.
Resistências e articulações nos bastidores
Inicialmente prevista para dezembro, a sabatina foi adiada após o presidente Lula não formalizar a indicação diante da resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Até o momento, Messias não conseguiu se reunir com Alcolumbre, e não há previsão de encontro antes da sabatina.
Nos bastidores, o advogado-geral buscou ampliar sua base de apoio, dialogando com diferentes grupos políticos, incluindo setores evangélicos. Ele também contou com a atuação dos ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques, indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que intercederam junto a senadores da oposição.
Com informações do portal 247
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