TaguaCei — A Polícia Federal (PF) investiga se um jato ligado ao advogado Willer Tomaz, próximo do senador Flávio Bolsonaro (PL), transportou o parlamentar até a Argentina, em uma possível rota para os Estados Unidos. A apuração ocorre após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega dos passaportes do senador. A PF também consultou autoridades argentinas para esclarecer uma possível saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.
Segundo reportagem do Brasil 247, baseada em informações do jornal O Globo, a aeronave deixou Brasília na madrugada de terça-feira (27), poucas horas antes do fim do prazo para a entrega dos documentos. A movimentação chamou a atenção dos investigadores, que buscam esclarecer se Flávio deixou o país por uma rota alternativa.
O avião é um Cessna 560XL Citation Excel, de prefixo PR-AAA, vinculado a uma empresa controlada por Willer Tomaz. Registros de rastreamento aéreo citados na reportagem indicam que a aeronave decolou de Brasília às 5h05 e pousou às 8h40 em San Fernando, nos arredores de Buenos Aires.
Os dados de voo, porém, não comprovam que Flávio Bolsonaro estivesse a bordo. A hipótese de que o senador tenha passado pela Argentina antes de seguir para os Estados Unidos continua sob investigação.
PF também monitora outro avião na fronteira
De acordo com a reportagem, os investigadores acompanharam a situação de um segundo avião, um Gulfstream G400 de prefixo LV-JQW, que estava em Puerto Iguazú, cidade argentina próxima à fronteira com o Brasil.
Informações iniciais indicavam que a aeronave poderia ser utilizada em uma eventual viagem aos Estados Unidos. Um plano de voo com destino a Miami teria sido preparado, mas acabou descartado. O avião permaneceu em Puerto Iguazú durante o período mencionado na reportagem.
A possível utilização de aeronaves particulares integra as diligências para reconstruir o trajeto atribuído ao senador. Até o momento, as informações apresentadas não esclarecem se Flávio embarcou no jato ligado a Willer Tomaz nem se utilizou o segundo avião.
Ordem para entrega dos passaportes
A determinação judicial para a entrega dos passaportes foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, após solicitação da Polícia Federal. Segundo as informações divulgadas, a decisão considerou o risco de que o senador deixasse o país durante as investigações.
Na segunda-feira (26), Flávio afirmou que cumpriria a determinação e que não pretendia sair do Brasil. A reportagem informa que o prazo terminou na manhã seguinte sem a entrega dos documentos.
A movimentação das aeronaves passou a ser examinada nesse contexto, mas os dados de rastreamento, isoladamente, não confirmam o paradeiro do parlamentar nem demonstram eventual descumprimento da ordem judicial.
Investigação envolve suspeitas financeiras
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz também são investigados em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas a operações no setor de apostas. A investigação examina possíveis vínculos financeiros entre o senador e o advogado, além de movimentações empresariais.
A Polícia Federal apura possíveis conexões entre os dois, incluindo registros bancários, comunicações e operações relacionadas a plataformas de apostas. Os investigadores também analisam negócios de Willer Tomaz no setor, como parte da investigação sobre apostas, aeronaves particulares e possíveis vínculos financeiros com Flávio Bolsonaro.
A relação entre o senador e o advogado também aparece em uma apuração sobre possíveis acessos antecipados a informações sigilosas. A PF investiga suspeitas de que Willer Tomaz tenha recebido decisões judiciais e pareceres do Ministério Público Federal antes da divulgação oficial. O advogado nega ter obtido informações de maneira irregular.
Em outra frente, registros de viagens internacionais realizadas por Flávio em aeronaves particulares estão sob análise. Em janeiro de 2025, o senador viajou dos Estados Unidos para Brasília com a família em um jato que tinha participação de uma empresa ligada ao empresário Daniel Vorcaro entre seus cotistas. Willer Tomaz também estava entre os passageiros, conforme informações sobre a viagem de Flávio Bolsonaro em uma aeronave relacionada a Vorcaro.
A utilização da aeronave, por si só, não comprova irregularidades. Os investigadores procuram esclarecer a natureza das relações financeiras e empresariais e verificar se existem elementos relevantes para os inquéritos em andamento.
Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam irregularidades relacionadas às investigações financeiras. No caso da possível viagem à Argentina, a PF ainda busca esclarecer o trajeto da aeronave e verificar se o senador esteve a bordo.
Fonte: Brasil 247



