A expectativa para a sabatina do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, marcada para esta quarta-feira (28), é de um embate acirrado entre governo e oposição. A votação ocorrerá em duas etapas: na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário do Senado. Em ambos os casos, a votação será secreta, o que significa que o público não terá acesso ao detalhamento de como cada senador votou, apenas ao resultado final, com o placar geral.
A sabatina do AGU será a terceira e última do dia, após as sabatinas de Margareth Costa, indicada para o Tribunal Superior do Trabalho (TST), e de Tarcijany Machado, indicada para o cargo de defensora pública-geral federal. Na Comissão, a previsão é que Messias faça uma apresentação inicial, seguida de perguntas dos senadores. Cada parlamentar terá até dez minutos para interrogar o indicado. A interação será dividida em blocos de três ou quatro senadores, com o tempo de resposta de Messias sem limite fixo, o que permite um debate mais aprofundado. A tréplica, quando ocorrer, será decidida pelo presidente da comissão, o senador Otto Alencar (PSD-BA).
Independentemente do resultado na CCJ, a indicação de Messias será levada ao plenário do Senado, onde será necessário o apoio de pelo menos 41 senadores para garantir sua aprovação. De acordo com informações de aliados do governo, a base governista projeta uma votação favorável na CCJ, com um apoio entre 43 e 48 votos para o plenário.
A nomeação de Messias pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em novembro de 2025, gerou um ambiente tenso no Senado, com a oposição liderada por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) tentando emplacar Rodrigo Pacheco (PSB-MG) como o novo AGU. A pressão de Alcolumbre levou o governo a adiar o envio formal da indicação, que só foi formalizada no início de abril de 2026. Mesmo com o confronto político, Messias e Alcolumbre se encontraram em Brasília, em uma reunião fora da agenda oficial, no intuito de discutir o cenário no Senado.
O senador Rodrigo Pacheco e o ministro Alexandre de Moraes, aliados de Alcolumbre, também participaram da conversa, e a disputa pelo apoio de votos ficou evidente. Aliados de Messias consideram que o encontro marcou uma reconciliação entre amigos distantes, enquanto fontes próximas a Alcolumbre asseguram que ele não comprometeu seu voto, embora tenha garantido que o processo será conduzido de maneira institucional.
Na véspera da sabatina, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, participou de um almoço com Messias e com o vice-presidente, Geraldo Alckmin, além de João Campos, prefeito de Recife e presidente do PSB, formalizando o apoio político de seu partido à nomeação. Esse movimento foi interpretado como um sinal de que o grupo de Alcolumbre está inclinado a apoiar Messias.
Além disso, o apoio de Messias será reforçado pelo ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, que se comprometeu a acompanhar o indicado durante todo o processo da sabatina. Múcio destacou sua lealdade ao advogado-geral, afirmando: “Bloqueei toda minha agenda. Chegarei com ele e ficarei ao lado dele até o fim como um gesto de apoio”.
Rito da sabatina
De acordo com a assessoria de Otto Alencar, a votação na CCJ exigirá a presença de ao menos 14 senadores para iniciar o processo, sendo necessária uma maioria favorável entre os presentes para aprovar Messias. Já no plenário, a votação só acontecerá se houver a presença de 41 senadores.
As movimentações políticas em torno de Messias refletem as complexas articulações internas do Senado, onde o resultado de sua sabatina ainda está em aberto e dependerá da negociação de votos nos próximos dias.
Com informações do portal 247
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