O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que aliados da família Bolsonaro atuaram para transferir aos Estados Unidos poder de influência sobre a segurança pública brasileira após a decisão do governo do presidente Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar acusou os bolsonaristas de tentarem entregar a soberania nacional a interesses estrangeiros e alertou para os riscos políticos, econômicos e institucionais decorrentes da medida.
Segundo Lindbergh, a classificação adotada por Washington reproduz uma tese que já foi debatida e rejeitada pelo Congresso Nacional durante a tramitação do Projeto de Lei Antifacção. O parlamentar ressaltou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também rejeita esse tipo de enquadramento por considerar que ele abre espaço para a atuação extraterritorial dos Estados Unidos sobre temas internos do Brasil.
“Os Estados Unidos decidiram, unilateralmente, classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais: a tese que o Congresso Nacional discutiu e derrotou no PL Antifacção. O governo Lula também rejeita essa saída, porque ela transfere a um país estrangeiro efeitos sobre segurança pública, território, empresas, bancos e cidadãos brasileiros”, escreveu.
Combate ao crime deve ocorrer sob comando das instituições brasileiras
Lindbergh defendeu que o enfrentamento às facções criminosas deve ocorrer por meio dos instrumentos previstos na legislação brasileira, com fortalecimento das instituições de segurança e inteligência do Estado.
“PCC, CV e todas as facções criminosas devem ser enfrentadas com Polícia Federal, inteligência, investigação financeira, asfixia patrimonial, integração federativa, controle de fronteiras e lei brasileira. Foi essa a resposta aprovada no Congresso Nacional com o PL Antifacção”, afirmou.
Na avaliação do deputado, os bolsonaristas estariam tentando obter em Washington o que não conseguiram conquistar no debate democrático realizado no Parlamento brasileiro.
“Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e seus aliados tentam buscar em Washington aquilo que perderam no Parlamento brasileiro”, acrescentou.
Alerta para riscos de extraterritorialidade
Um dos principais pontos levantados por Lindbergh é o que ele considera ser o risco de extraterritorialidade decorrente da legislação antiterrorismo dos Estados Unidos. Segundo o deputado, a classificação anunciada por Washington pode abrir espaço para ações unilaterais sobre temas que dizem respeito exclusivamente ao Brasil.
“O risco central é a extraterritorialidade. A partir da sua própria legislação antiterrorismo, os EUA se dão o direito de intervir unilateralmente em territórios estrangeiros. Uma decisão política tomada em Washington pode virar pretexto para sanções, bloqueio de ativos, pressão sobre bancos, operações de inteligência e até ações coercitivas contra pessoas, empresas e alvos localizados no Brasil”, alertou.
Para o parlamentar, a decisão pode criar um precedente perigoso ao permitir que medidas tomadas por outro país tenham impactos diretos sobre cidadãos, empresas e instituições brasileiras.
Possíveis impactos econômicos e financeiros
Lindbergh também destacou possíveis consequências econômicas decorrentes da classificação das facções como organizações terroristas. Segundo ele, empresas e setores inteiros da economia brasileira poderiam ser afetados por receios do mercado financeiro internacional.
“A classificação como terrorismo também abre risco de sanções financeiras contra organizações, empresas e pessoas, inclusive por suspeita indireta ou relação sequer comprovada. Instituições financeiras, bancos, fundos e investidores podem se afastar de setores inteiros da economia brasileira por medo de punições dos EUA”, escreveu.
De acordo com o deputado, esse cenário poderia resultar em bloqueio de ativos, fuga de capitais, restrição de crédito e dificuldades para operações internacionais envolvendo empresas brasileiras.
Críticas à atuação da família Bolsonaro
Ao longo da publicação, Lindbergh dirigiu duras críticas à família Bolsonaro, acusando seus integrantes de incentivarem uma política de submissão aos interesses dos Estados Unidos.
O deputado mencionou declarações anteriores de Flávio Bolsonaro e afirmou que a atual ofensiva busca ampliar a influência norte-americana sobre temas estratégicos do Brasil.
“Flávio Bolsonaro já chegou ao absurdo de defender bombardeio na Baía de Guanabara. Agora, ele e Eduardo Bolsonaro querem entregar a Trump poder sobre a segurança pública brasileira”, afirmou.
Lindbergh também acusou aliados bolsonaristas de atuarem nos Estados Unidos para pressionar instituições brasileiras e desgastar a imagem do país no exterior.
“Mesmo assim, três patetas da extrema direita foram à Casa Branca fazer antidiplomacia e conspirar contra o Brasil”, escreveu.
Lula defende cooperação, não interferência
O parlamentar contrastou a postura dos bolsonaristas com a atuação do presidente Lula na área de cooperação internacional para o combate ao crime organizado.
“Em visita recente aos EUA, o presidente Lula propôs novo acordo de cooperação internacional para combater o crime organizado. Já os bolsonaristas foram aos EUA sabotar o Brasil e entregar a Trump uma chave para interferir na nossa segurança, na nossa economia, no nosso sistema financeiro e no nosso território”, afirmou.
Na parte final da publicação, Lindbergh elevou o tom das críticas e classificou a atuação dos aliados de Bolsonaro como uma afronta aos interesses nacionais.
“É traição à Pátria. O Brasil não é colônia. Traidores da Pátria querem transformar o Brasil em alvo militar, econômico e financeiro dos EUA. Mas o Brasil é dos brasileiros!”, concluiu.
Com informações do portal 247
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