Pesquisadores do King’s College London, na Inglaterra, identificaram 26 regiões do DNA associadas ao risco de desenvolver fibromialgia após analisar dados genéticos de mais de 2,5 milhões de adultos, incluindo cerca de 55 mil pessoas diagnosticadas com a doença. O estudo, publicado na revista Nature Medicine, indica que a maioria dos genes identificados está relacionada ao funcionamento do cérebro e do sistema nervoso. As informações são do Correio Braziliense.
A fibromialgia é caracterizada por dor generalizada, sensibilidade ao toque, fadiga, distúrbios do sono, além de alterações de memória e humor. Embora afete aproximadamente 2% da população mundial, suas causas biológicas ainda não são completamente conhecidas.
Segundo a pesquisadora Frances Williams, professora de Epidemiologia Genômica do King’s College London e autora sênior do estudo, os resultados reforçam a hipótese de que a fibromialgia está ligada a alterações no processamento da dor pelo sistema nervoso.
A reumatologista Sandra Maria Andrade, do Hospital Santa Lúcia Sul, explica que a doença costuma surgir em decorrência de alterações nos neurotransmissores e pode ser desencadeada por episódios de dor intensa, cirurgias, enxaquecas, dores menstruais ou outras condições crônicas. De acordo com a especialista, esses fatores podem reduzir o limiar de dor e levar o sistema nervoso central a manter um estado contínuo de sensibilidade dolorosa.
Entre as variantes genéticas encontradas, a mais fortemente associada à fibromialgia está localizada no gene HTT, conhecido por estar relacionado à doença de Huntington quando apresenta determinadas mutações. Os pesquisadores também identificaram uma variante ligada ao receptor GPR52, que regula os níveis da proteína produzida por esse gene e já vem sendo estudado como possível alvo terapêutico para a doença neurodegenerativa.
Para Michael Wainberg, pesquisador da Universidade de Toronto e coautor do estudo, as descobertas reforçam que a fibromialgia possui uma base biológica, contrariando a visão de que a condição seria apenas de origem psicológica.
A pesquisa também identificou uma importante sobreposição genética entre a fibromialgia e outras doenças, como dor lombar crônica, síndrome do intestino irritável e transtorno de estresse pós-traumático. Segundo os cientistas, mecanismos biológicos comuns podem explicar por que essas condições frequentemente aparecem associadas.
Apesar dos avanços, os pesquisadores ressaltam que a genética não é o único fator envolvido no desenvolvimento da fibromialgia. Outros elementos, como estresse crônico, traumas físicos ou emocionais, infecções, privação de sono e sedentarismo, também podem contribuir para o surgimento da doença. Especialistas destacam ainda que problemas como hipotireoidismo e deficiências de vitamina D e ferro podem agravar sintomas como dor, fadiga e indisposição.
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



