TaguaCei — O crescimento das apostas online colocou em evidência um problema de saúde pública: o transtorno relacionado aos jogos de apostas. A facilidade de acesso por celulares e computadores pode favorecer comportamentos compulsivos, com consequências para a vida financeira, a saúde mental e os relacionamentos.
O Ministério da Saúde reconhece o transtorno do jogo como um transtorno de comportamento aditivo. Entre os sinais que merecem atenção estão apostar por mais tempo ou gastar mais dinheiro do que o planejado, preocupação frequente com jogos e alterações no sono, no humor, na rotina e nas relações familiares e sociais.
A dependência pode se desenvolver gradualmente. Em alguns casos, a pessoa passa a apostar para tentar recuperar valores perdidos ou utiliza o jogo como uma forma de lidar com sentimentos desagradáveis. Quando o comportamento começa a provocar prejuízos e a pessoa não consegue reduzi-lo ou interrompê-lo, é recomendável buscar orientação profissional.
Como reconhecer os sinais
Algumas mudanças de comportamento podem indicar que as bets estão deixando de ser uma atividade recreativa e se transformando em um problema. Entre os sinais estão:
- preocupação constante com apostas ou com a próxima oportunidade de jogar;
- necessidade de aumentar os valores apostados para obter a mesma sensação;
- dificuldade para diminuir ou interromper as apostas;
- irritação ou inquietação ao tentar parar;
- mentiras para familiares e amigos sobre frequência ou valores gastos;
- perda de interesse por outras atividades e hobbies;
- utilização das apostas como forma de escapar de problemas ou sentimentos negativos;
- empréstimos ou pedidos recorrentes de dinheiro para cobrir perdas.
O Ministério da Saúde disponibiliza um autoteste sobre jogos de apostas para ajudar a pessoa a refletir sobre sua relação com o jogo. A ferramenta não substitui uma avaliação profissional, mas pode indicar a necessidade de procurar atendimento.
Onde procurar ajuda gratuita
O SUS oferece atendimento para pessoas que enfrentam problemas relacionados às apostas e também para familiares. A porta de entrada pode ser uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde é possível receber orientação e avaliação inicial. Quando necessário, o paciente pode ser encaminhado para um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
Também existe atendimento remoto específico para problemas relacionados a jogos e apostas. O serviço pode ser acessado pelo Meu SUS Digital e oferece acompanhamento profissional a distância, inclusive para familiares. A iniciativa foi ampliada para até 100 mil teleatendimentos mensais.
Para acessar, o usuário deve entrar no Meu SUS Digital com a conta gov.br, selecionar a área de serviços relacionada a jogos de apostas e responder ao autoteste. Conforme o resultado, o sistema pode direcionar a pessoa para o teleatendimento ou apresentar orientações sobre os serviços da Rede de Atenção Psicossocial.
O Ministério da Saúde também orienta que, em situações envolvendo pensamentos de morte ou ideação suicida, a pessoa procure imediatamente uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou acione o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo telefone 192.
Outras formas de apoio
Além da rede pública, existem grupos de apoio como os Jogadores Anônimos, que oferecem reuniões presenciais e virtuais para pessoas que enfrentam problemas relacionados ao jogo. A organização também disponibiliza um questionário com 20 perguntas para reflexão sobre a relação com as apostas.
Outra ferramenta disponível atualmente é a autoexclusão das plataformas autorizadas. O mecanismo permite que o cidadão solicite, por meio do sistema do governo, o bloqueio do acesso às casas de apostas autorizadas.
Buscar ajuda não significa necessariamente que a pessoa precise interromper sua vida cotidiana ou enfrentar o problema sozinha. O acompanhamento profissional pode ajudar a identificar o grau de comprometimento causado pelas apostas e definir o tipo de cuidado adequado.
Fonte: Correio Braziliense



