PF investiga Paulo Guedes por suspeita de crime contra o sistema financeiro

O ex-ministro da Economia Paulo Guedes aparece em fotografia utilizada em reportagem sobre investigação da Polícia Federal envolvendo a plataforma de investimentos OnilX.
Foto: Reuters/Adriano Machado

TaguaCei — A Polícia Federal (PF) investiga o ex-ministro da Economia Paulo Guedes, que integrou o governo de Jair Bolsonaro, por suspeita de envolvimento em crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O inquérito também apura a atuação do empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da OnilX, plataforma de investimentos em criptomoedas que enfrenta processos judiciais de clientes que relatam dificuldades para recuperar o dinheiro aplicado.

Segundo reportagem do Brasil 247, baseada em informações divulgadas pelo Metrópoles, a investigação foi instaurada em fevereiro de 2026 e tramita sob sigilo na Justiça Federal, em Curitiba (PR). O procedimento é acompanhado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF).

Os documentos citados na reportagem identificam Guedes e Fábio Lino como investigados, mas não detalham publicamente as condutas específicas atribuídas a cada um. Até o momento, não há informação de condenação dos envolvidos no caso.

Consultoria e aproximação com investidores

A relação de Paulo Guedes com a OnilX já havia sido revelada em reportagens anteriores. Segundo as informações divulgadas, o ex-ministro prestou consultoria à empresa, participou de reuniões estratégicas e esteve em encontros com potenciais investidores.

A plataforma também divulgou imagens de Guedes ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa, apresentando a reunião como parte de suas articulações estratégicas. Em eventos voltados ao mercado financeiro, o ex-ministro teria elogiado a empresa e comentado seu potencial no setor de ativos digitais.

A participação de Guedes em atividades comerciais da plataforma passou a ser mencionada em ações judiciais de investidores que tentam recuperar os recursos aplicados.

Em um dos processos, um casal cobra R$ 876,5 mil da empresa. Os autores afirmam que decidiram manter e ampliar os investimentos após uma reunião com o ex-ministro, realizada na sede da companhia em abril. Meses depois, segundo o relato apresentado à Justiça, eles tentaram resgatar os valores, mas não conseguiram.

Outra ação reúne mensagens atribuídas a uma assessora da OnilX que teria mencionado a presença de Guedes na empresa para estimular aplicações. Os relatos integram os processos judiciais, mas não comprovam, por si só, que o ex-ministro tenha participado de eventuais irregularidades.

Promessa de rendimentos e reclamações de clientes

A OnilX oferecia investimentos relacionados a criptomoedas com rendimentos anunciados de até 2,8% ao mês. Clientes passaram a recorrer à Justiça após relatarem dificuldades para retirar os recursos aplicados.

Um levantamento citado pelo Metrópoles identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre junho e setembro de 2026. As reclamações envolvem, entre outros pontos, a impossibilidade de resgatar valores investidos em operações com criptomoedas e stablecoins, ativos digitais projetados para manter uma cotação relativamente estável em relação a moedas ou outros referenciais.

Em alguns processos, investidores levantaram suspeitas de que a operação pudesse funcionar como uma pirâmide financeira. A OnilX rejeita as acusações e afirma que suas atividades são regulares.

Casos semelhantes envolvendo promessas de rentabilidade e dificuldades de resgate também já chegaram à Justiça brasileira. Em outro episódio, a Justiça decretou a falência da AJX Capital após denúncias de prejuízos a milhares de investidores, mostrando os riscos enfrentados por clientes de plataformas que deixam de cumprir obrigações financeiras.

CVM determinou restrições à empresa

A OnilX também foi alvo de medidas administrativas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em janeiro de 2026, a autarquia determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários realizadas pelo grupo.

Em abril, o colegiado da CVM manteve a decisão, esclarecendo que a restrição não se aplicava automaticamente à simples intermediação de criptoativos como Bitcoin, Ethereum e USDT, quando as operações não envolvessem promessa de rendimento ou características de um contrato de investimento coletivo.

A distinção é importante porque determinadas ofertas de ativos digitais podem ser enquadradas como valores mobiliários, conforme suas características e os direitos oferecidos aos investidores.

A legislação brasileira prevê regras específicas para operações no mercado financeiro, e a atuação dos órgãos reguladores depende da natureza dos serviços oferecidos e das circunstâncias de cada caso.

Inquérito continua em andamento

Registros processuais mencionados na reportagem indicam que a investigação teve novas movimentações em setembro e outubro, incluindo intimações, petições e diligências policiais. Como o procedimento tramita sob sigilo, os detalhes das medidas não foram divulgados integralmente.

O inquérito busca apurar possíveis infrações à Lei nº 7.492/1986, que define crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A investigação ainda precisa esclarecer a atuação individual dos envolvidos e verificar se houve prática de ilícitos.

A apuração não significa que Paulo Guedes ou Fábio Lino tenham sido considerados culpados. A eventual responsabilidade criminal dependerá das provas reunidas e das decisões das autoridades competentes.

Fonte: Brasil 247

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