TaguaCei — O cineasta Carlos Saldanha acredita que o Brasil precisa valorizar seus grandes feitos e personagens históricos. Essa é uma das motivações por trás de 100 Dias, filme que estreou nos cinemas nesta quinta-feira (29) e retrata a travessia do navegador brasileiro Amyr Klink pelo Atlântico Sul, realizada em 1984.
Naquela ocasião, Klink tornou-se o primeiro navegador a cruzar o Atlântico Sul a remo. A jornada solitária durou 100 dias e entrou para a história da navegação brasileira. Dirigido por Saldanha, conhecido por trabalhos de animação como A Era do Gelo e Rio, o longa levou oito anos para ser desenvolvido.
Em entrevista ao Metrópoles, o diretor contou que Amyr Klink lhe concedeu liberdade para adaptar a história de sua vida, registrada no livro escrito durante a travessia. Segundo Saldanha, o navegador confiou à equipe a responsabilidade de transformar o relato em uma obra cinematográfica, preservando a essência da experiência real.
O cineasta afirmou que essa confiança também aumentou seu compromisso com o projeto. Para ele, contar a história representa uma oportunidade de valorizar uma conquista brasileira e apresentá-la a públicos que talvez ainda não conheçam a dimensão do feito.
Uma história para as novas gerações
O ator Filipe Bragança, que interpreta Amyr Klink, vê no filme uma oportunidade de apresentar essa conquista às novas gerações. Ele afirmou que muitos jovens desconhecem a travessia e espera que a produção desperte o interesse pelo livro que inspirou o longa.
Bragança acredita que o filme pode aproximar o público de uma das aventuras mais marcantes da história brasileira. Já Felipe Camargo, intérprete de Jamil Klink, pai do navegador, destacou a importância de reconhecer conquistas nacionais e valorizar os próprios ídolos.
Saldanha também ressaltou que a travessia de Amyr Klink foi um feito extraordinário, especialmente por ter sido realizada por um brasileiro em uma modalidade na qual aventureiros de diferentes países tentaram superar desafios semelhantes.
Filme brasileiro na disputa pelo Oscar
Além da trajetória pessoal do navegador, 100 Dias aposta nas paisagens e nos desafios enfrentados durante a travessia. O filme é baseado no relato autobiográfico de Klink e tem Filipe Bragança no papel principal, com participações de Philippine Leroy-Beaulieu, Felipe Camargo e João Vitor Silva.
A produção integrou a seleção de seis títulos que disputaram a indicação para representar o Brasil no Oscar 2027, ao lado de obras como A Fabulosa Máquina do Tempo e Feito Pipa. A lista reuniu diferentes produções do cinema nacional, conforme a relação dos seis filmes brasileiros que avançaram na seleção para o Oscar.
Antes dessa etapa, 100 Dias também esteve entre os 15 longas elegíveis para representar o país na premiação internacional. A seleção inicial incluiu produções de diferentes gêneros e diretores, conforme a lista dos filmes brasileiros que poderiam disputar uma vaga no Oscar 2027.
Fonte: Metrópoles



