A disputa acirrada leva o presidente Lula e o candidato da extrema-direita, Flávio Bolsonaro, a apostar na TV e buscar o apoio do centrão, com campanhas que reforçam o uso da propaganda eleitoral em televisão e rádio e ampliam a corrida por alianças políticas.
Em um cenário competitivo, a estratégia busca alcançar eleitores de baixa renda e regiões mais distantes, além de influenciar percepções e rejeições entre segmentos-chave do eleitorado.
De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, as campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) têm priorizado o fortalecimento de coligações para ampliar o tempo de exposição nesses meios tradicionais, contrariando a avaliação de que a publicidade em TV e rádio perdeu relevância nas eleições recentes.
Integrantes das duas campanhas avaliam que a televisão aberta ainda exerce forte influência, especialmente entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, público no qual Lula apresenta vantagem. Segundo levantamento do Datafolha divulgado em 6 de março, o petista lidera esse segmento com 52% das intenções de voto contra 37% de Flávio em um eventual segundo turno.
Além disso, o rádio continua sendo considerado estratégico para alcançar regiões mais afastadas do país. Diante de uma disputa acirrada, a orientação das campanhas é não depender exclusivamente das redes sociais, mas ampliar inserções em TV e rádio tanto para promover propostas quanto para desgastar a imagem do adversário.
Nesse contexto, Flávio Bolsonaro tem intensificado negociações com partidos do centrão, especialmente a federação entre União Brasil e PP, além do Republicanos, buscando consolidar uma aliança robusta. Já Lula atua para fragmentar esses apoios e impedir que essas siglas integrem formalmente a chapa do adversário, além de tentar conquistar apoios regionais.
Os cálculos de tempo de propaganda indicam cenários distintos. Caso Flávio permaneça apenas com o apoio do PL, Lula terá vantagem: 49% do tempo de propaganda contra 35% do senador. Nesse cenário, o presidente teria 5 minutos e 44 segundos no programa eleitoral diário, enquanto Flávio ficaria com 4 minutos e 35 segundos.
Por outro lado, se o candidato do PL conseguir atrair União Brasil, PP e Republicanos, o quadro se inverte. Flávio passaria a ter 57% do tempo de propaganda, contra 32% de Lula. Isso lhe garantiria 7 minutos e 5 segundos diários, enquanto o presidente teria 3 minutos e 51 segundos. O candidato do PSD — seja Ronaldo Caiado ou Eduardo Leite — ficaria com apenas 1 minuto e 34 segundos.
A divisão do tempo leva em conta o desempenho dos partidos nas eleições de 2022, sendo 90% distribuído conforme o número de deputados federais eleitos e 10% igualmente entre os candidatos. Essa regra vale para o primeiro turno; no segundo, o tempo é dividido igualmente entre os dois finalistas.
A propaganda eleitoral em rádio e TV está prevista para ocorrer entre 28 de agosto e 1º de outubro. Além dos programas principais, exibidos em dias específicos, os candidatos terão inserções ao longo da programação, em formatos de 30 ou 60 segundos.
Com alianças ainda em disputa e margens estreitas nas pesquisas, a batalha pelo tempo de televisão e rádio se consolida como um dos principais eixos estratégicos da corrida presidencial de 2026.
Com informações do portal 247
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