A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para investigar os desvios bilionários no INSS encerrou os trabalhos sem um desfecho conclusivo, após não aprovar seu relatório final. Mesmo sem consenso, parlamentares se movimentam para buscar resultados nos últimos sete meses de investigação do colegiado e fazer com que outros órgãos sigam com o trabalho. O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens.
Ao Metrópoles, o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que vai enviar o relatório rejeitado à Polícia Federal (PF), Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério Público (MP) e à Receita Federal.
O documento tem mais quatro mil páginas e pede o indiciamento de 216 pessoas, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. O texto foi rejeitado por 19 votos a 12, puxado pelo voto de parlamentares governistas, que eram maioria no colegiado.
Em paralelo ao texto reprovado, congressistas da base do governo produziram um outro relatório, que foi rejeitado pelo relator da CPMI, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). O documento paralelo é nomeado pelos parlamentares de “relatório da maioria” e pede o indiciamento de 130 pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu filho Flávio Bolsonaro (PL).
Embora o texto sequer tenha sido apreciado pela CPMI do INSS, o líder do governo no Senado Federal, o senador Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que vai encaminhar o documento à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
CPMI do INSS
- A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apurou os desvios bilionários no INSS encerrou seus trabalhos na última sexta-feira (27/3) após sete meses de investigações.
- A comissão, como parte do previsto na Constituição Federal, deveria apresentar aos seus membros um relatório final com a conclusão do que foi investigado enquanto a CPMI estava atuando.
- Esse documento final, contudo, foi um ponto de impasse entre os membros da comissão e foi rejeitado pela maioria dos seus membros. Dessa forma, o colegiado foi encerrado sem uma conclusão final.
- Apesar de não ter chegado a um fim oficialmente conclusivo, investigações realizadas pela Comissão ainda podem gerar resultados legais ou institucionais.
O que diz a Constituição Federal
Em tese, a Constituição Federal prevê que as conclusões de uma CPMI, se aprovadas, devem ser encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil e criminal dos infratores apontados pelo colegiado.
Quando o relatório de uma CPMI — que, ao longo de sua atuação, dispõe de poderes de investigação próprios de autoridades judiciais — é aprovado, suas conclusões ganham maior peso político e institucional, o que pode impulsionar a responsabilização dos envolvidos.
Por outro lado, é direito do cidadão brasileiro e do parlamentar apresentar conclusões ou denúncias a órgãos superiores, como a Polícia Federal e a PGR. Essas representações, contudo, perdem o peso institucional que um documento aprovado pela CPMI teria.
O advogado e cientista político Valdir Pucci pontua que, ainda que a comissão não tenha chegado a uma conclusão em termos oficiais, não quer dizer que os resultados alcançados nos últimos meses será perdido.
“Todas as provas e todas as investigações podem ser encaminhadas, por exemplo, ao Ministério Público, para que o Ministério Público avalie aquilo que foi investigado, aquilo que foi discutido e aquilo que foi apresentado pelo relatório”, declara o especialista.
Ou seja, mesmo sem consenso entre parlamentares sobre as conclusões da CPMI, as investigações realizadas pela Comissão ainda podem gerar resultados legais ou institucionais.
Impasses na CPMI do INSS
Instalada no dia 20 de agosto de 2025, a CPMI do INSS acabou se tornando palco da polarização que domina o cenário político nacional. Em poucas semanas, a comissão foi marcada por discussões, bate-boca e debate virtual entre seus membro.
Tal impasse refletiu o resultado final da comissão, que não teve seu relatório final aprovado. Embora a oposição ocupasse postos estratégicos na CPMI, como a presidência e a relatoria, o governo era maioria e rejeitou o documento produzido pelo colegiado.
Governistas apontavam o documento, produzido pelo relator Alfredo Gaspar, filiado ao Partido Liberal de Jair Bolsonaro, como “enviesado“. Na avaliação desses parlamentares, o texto buscava relacionar o esquema do INSS ao governo petista e o afastava da gestão do ex-presidente Bolsonaro (PL), embora ele fosse o presidente no período em que a fraude teve início.
Por outro lado, a oposição acusa parlamentares da base governista de atrapalharem a atuação da CPMI com o objetivo de atender a interesses pessoais do presidente Lula, que teve seu filho entre os citados no esquema.
Lulinha é uma das pessoas citadas no esquema que desviou mais de R$ 2 bilhões de aposentados e pensionistas através de descontos indevidos. O filho do presidente Lula é suspeito ainda de ter recebido uma mesada do Careca do INSS, Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como o responsável pela fraude.
Com informações do portal Metrópoles
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