Lula comanda reunião ministerial com auxiliares que vão deixar cargos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faz, nesta terça-feira (31/3), reunião ministerial com ministros que vão deixar o governo para disputar as eleições e seus respectivos sucessores. A expectativa é que ao menos 18 auxiliares entreguem os cargos, respeitando o prazo para desincompatibilização, que se encerra no próximo sábado (4/4).

O objetivo é fazer um balanço das ações da gestão e formalizar a “passagem de bastão” aos titulares que comandarão as pastas até o fim do mandato. A previsão é de que todos os auxiliares participem, inclusive os que permanecerão no Executivo até o término do governo. O encontro acontecerá na Sala de Reunião Suprema do Palácio do Planalto.

A tendência é que a maioria dos ministros seja substituída pelos secretários-executivos. Lula vai priorizar nomes da casa, que já estão familiarizados com a rotina dos ministérios e devem manter as entregas.

Em algumas pastas, o cenário está indefinido. O presidente ainda não bateu o martelo sobre o sucessor da ministra Gleisi Hoffmann (PT), na Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política do governo. Segundo a titular da pasta, que deixa o cargo na quarta-feira (1º/4), a decisão deve ser tomada até o fim da semana.

Inicialmente, o plano era promover o atual chefe do Conselhão, Olavo Noleto, ao cargo de ministro. Nos últimos dias, porém, o presidente passou a avaliar alternativas com maior trânsito no Congresso.

Como mostrou o Metrópolesna coluna de Igor Gadelha, Noleto segue no páreo, e aliados apostam que ele pode acabar escolhido caso o Planalto não encontre um nome mais experiente disposto a assumir o posto nesta reta final do mandato.

Indefinições

O destino do ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), segue incerto. Ele é cotado tanto para disputar o Senado quanto para compor, como vice, a chapa do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad na corrida ao governo de São Paulo.

Em outra frente, também é apontado como possível substituto de Geraldo Alckmin (PSB) no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Alckmin, por sua vez, vai deixar o comando da pasta, mas permanecerá na Vice-Presidência da República. A tendência é que volte a compor a chapa de Lula como vice, apesar de o presidente já ter sugerido publicamente a possibilidade de uma candidatura de Alckmin ao Senado por São Paulo.

De toda forma, o pessebista, com forte capital político no estado, deve atuar como peça-chave na campanha de Haddad ao Palácio dos Bandeirantes.

Já o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), também está indefinido. Ele ainda não decidiu se deixará o governo para disputar vaga na Câmara dos Deputados por Pernambuco.

Para o ministro da Educação, o cenário também é incerto. Camilo Santana (PT) vai se desincompatibilizar do cargo, inicialmente para atuar na campanha pela reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT). Nos bastidores, porém, o PT não descarta lançá-lo ao governo estadual, caso Elmano não avance nas pesquisas frente a Ciro Gomes (PSDB).

Nessa segunda-feira (30/3), Lula afirmou que Camilo será “candidato a não sei o quê” e anunciou que o secretário-executivo do MEC, Leonardo Barchini, vai assumir o comando da pasta.

Já o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), decidiu permanecer no cargo. Inicialmente cotado para disputar o Senado por Minas Gerais, ele confirmou, em Belo Horizonte, nessa segunda, que não concorrerá a um cargo eletivo neste ano.

Silveira segue no Executivo em um momento sensível, marcado pela alta nos preços dos combustíveis em meio ao conflito no Oriente Médio.


Saída de ministros

  • Cerca de 18 ministros devem deixar o governo para disputar cargos na Câmara, no Senado e nos Executivos locais.
  • A legislação eleitoral determina que autoridades públicas que pretendem concorrer a cargos diferentes daqueles que ocupam devem se desincompatibilizar do posto seis meses antes da eleição.
  • O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Portanto, a data-limite para desincompatibilização é 4 de abril.
  • A tendência é que os auxiliares do presidente sejam substituídos por quadros de dentro dos ministérios, com o objetivo de manter as entregas até o fim do mandato.

Veja os ministros que devem deixar o governo para disputar as eleições e quais cargos vão concorrer:

Governos estaduais

  • Fernando Haddad (PT), Fazenda: deixou o cargo em 20 de março: pré-candidato ao governo de São Paulo;
  • Renan Filho (MDB), Transportes: pré-candidato ao governo de Alagoas.

Senado

  • Rui Costa (PT), Casa Civil: pré-candidato ao Senado pela Bahia;
  • Gleisi Hoffmann (PT), Secretaria de Relações Institucionais: pré-candidata ao Senado pelo Paraná;
  • Simone Tebet (PSB), Planejamento e Orçamento: pré-candidata ao Senado por São Paulo;
  • Marina Silva (Rede), Meio Ambiente: cotada para concorrer ao Senado ou vice em São Paulo;
  • Carlos Fávaro (PSD), Agricultura e Pecuária: pré-candidato ao Senado por Mato Grosso;
  • Waldez Góes (PDT), Integração Regional: pré-candidato ao Senado pelo Amapá;
  • André Fufuca (PP), Esporte: cotado para concorrer ao Senado ou governo do Maranhão.

Câmara dos Deputados

  • Jader Filho (MDB), Cidades: pré-candidato à Câmara pelo Pará;
  • Silvio Costa Filho (Republicanos), Portos e Aeroportos: pré-candidato à Câmara por Pernambuco;
  • Paulo Teixeira (PT), Desenvolvimento Agrário: pré-candidato à Câmara por São Paulo;
  • Anielle Franco (PT), Igualdade Racial: pré-candidata à Câmara pelo Rio de Janeiro;
  • Sonia Guajajara (PSol), Povos Indígenas: pré-candidata à Câmara por São Paulo.

Assembleias estaduais

  • Macaé Evaristo (PT), Direitos Humanos e da Cidadania: cotada para concorrer a uma vaga de deputada estadual na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Com informações do portal Metrópoles

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