Uma em cada sete mulheres no Brasil já sofreu estupro. Crimes ocorrem, principalmente, na infância
Uma pesquisa do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva revela que 15% das mulheres brasileiras afirmam ter sido vítimas de estupro. Entre elas, 12% relatam que a violência ocorreu antes dos 13 anos e 57% nunca contaram a ninguém. O levantamento mostra ainda que 8% dessas mulheres engravidaram em decorrência do abuso.
Seis em cada dez brasileiros conhecem uma mulher que sofreu abuso sexual na infância, e 22% têm conhecimento de casos em que a violência resultou em gravidez. “A maioria dos estupros ocorre dentro de casa e é cometido por um parente ou conhecido. Muitas vezes, a família não quer enxergar e muito menos denunciar o agressor. Assim, se a menina rompe o silêncio, dizem que ela está inventando, enquanto o agressor nega ou culpa a criança”, explica Marisa Sanematsu, diretora de conteúdo do Instituto Patrícia Galvão.
O estudo também aborda aborto legal: 70% das mulheres entrevistadas defendem a possibilidade de interromper a gestação resultante de estupro. Apesar disso, apenas 43% da população conhece a legislação que permite o procedimento, e só quatro em cada dez sabem que não é necessário boletim de ocorrência.
Kênia Ramos de Souza, psicóloga do Grupo Mantevida, ressalta a importância da terapia para vítimas. “O acompanhamento psicológico oferece um espaço seguro para que a vítima gradualmente acesse lembranças dolorosas e compreenda os impactos na sua vida. Apagar o trauma não é possível, mas ressignificá-lo e reconstruir caminhos de superação é essencial.”
O levantamento reforça que a violência sexual é um problema estrutural e silencioso, que exige políticas públicas, apoio psicológico e informação sobre direitos para reduzir o impacto na vida das vítimas.
Com informações do Correio Braziliense
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