O possível novo tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros provocou forte reação nas redes sociais, ampliou o desgaste político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e impulsionou manifestações em defesa do Pix e da soberania nacional, informa o jornal O Globo.
De acordo com levantamento da consultoria Ativaweb DataLab, o tema gerou 8,6 milhões de menções entre 8h e 13h de terça-feira (2). O monitoramento analisou a repercussão do anúncio de que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação comercial contra o Brasil e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias nacionais.
A análise apontou predominância de publicações críticas à medida anunciada pelos Estados Unidos. Segundo a consultoria, 67,8% das manifestações tiveram teor negativo em relação ao anúncio norte-americano. Quando o recorte foi feito especificamente sobre as tarifas, o índice de rejeição chegou a 81%.
Outro eixo de forte repercussão envolveu a associação do clã Bolsonaro ao tema. Nesse caso, 69% das menções tiveram viés negativo. Já a narrativa de defesa da soberania nacional registrou maior adesão positiva, com 74,2% de sentimento favorável nas publicações analisadas.
O resultado mostra que o anúncio norte-americano rapidamente se transformou em disputa política no ambiente digital. De um lado, perfis governistas passaram a relacionar o tarifaço à atuação de aliados e integrantes da família Bolsonaro. De outro, parlamentares e apoiadores bolsonaristas tentaram afastar Flávio Bolsonaro da medida e atribuíram a responsabilidade ao governo Lula (PT).
Reação governista mira família Bolsonaro
As críticas contra Flávio Bolsonaro ganharam força entre perfis alinhados ao governo. A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) atribuiu o anúncio feito pelo governo americano a uma articulação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ela classificou Eduardo e integrantes de sua família como “traidores da pátria e do povo brasileiro”.
O vice-líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), também associou a atuação internacional de bolsonaristas a prejuízos para o país. Em publicação nas redes, escreveu: “quem faz política internacional contra o próprio país não pode depois fingir surpresa quando interesses estrangeiros avançam sobre conquistas nacionais”.
A hashtag “Tariflávio” foi impulsionada por perfis de esquerda e chegou aos assuntos mais comentados do X. A expressão circulou junto de outras mensagens, como “o pix é nosso” e “Bolsonaros inimigos do Brasil”, em publicações que buscavam vincular a família Bolsonaro ao avanço da pressão comercial dos Estados Unidos contra o Brasil.
As frases também foram compartilhadas por nomes do campo governista, entre eles o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), o secretário nacional de comunicação do PT, Éden Valadares, e o perfil oficial do partido.
Aliados de Flávio Bolsonaro reagem
Do lado bolsonarista, aliados de Flávio Bolsonaro passaram a negar que o senador tenha pedido novas tarifas ao governo dos Estados Unidos. A estratégia foi reforçar a versão de que a acusação seria uma tentativa de atingir politicamente a família Bolsonaro e desgastar sua relação com a administração norte-americana.
Eduardo Bolsonaro publicou uma defesa da relação de seus aliados com o governo dos EUA. “A narrativa falsa de que o governo americano impôs novas tarifas não é nada mais do que uma tentativa de minar a excelente relação que temos com a administração atual”, afirmou.
Na mesma manifestação, Eduardo disse que “tem confiança” de que o mandatário norte-americano “não punirá o povo brasileiro pelos crimes cometidos pelo regime de exceção no Brasil”.
Também filho de Jair Bolsonaro (PL), o vereador de Balneário Camboriú Jair Renan (PL-SC) afirmou que a responsabilidade por eventuais tarifas seria do presidente Lula. “A culpa de possíveis tarifas dos EUA é exclusivamente de uma pessoa: Lula”, declarou.
Jair Renan também acusou a esquerda de tentar transferir a responsabilidade pelo episódio. “Como sempre, a esquerda que vive de mentiras tenta culpar a direita e a família Bolsonaro”, acrescentou.
Disputa digital amplia desgaste político
A repercussão do tarifaço expôs a intensidade da disputa por narrativas nas redes sociais. Enquanto governistas exploraram o tema para associar a família Bolsonaro a uma ação externa contra interesses brasileiros, bolsonaristas tentaram deslocar o foco para a política externa do governo Lula.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que atua na coordenação da campanha presidencial, também reagiu às críticas feitas por Lula a Flávio Bolsonaro. “Lula chama os outros de ‘vendilhões da pátria’ enquanto demonstra ódio, cólera e desespero político”, afirmou no X.
O embate ganhou força porque a medida anunciada pelos Estados Unidos atingiu diretamente o debate sobre soberania nacional, comércio exterior e proteção de instrumentos brasileiros, como o Pix. Segundo o levantamento, a defesa da soberania foi o campo com maior adesão positiva entre os usuários analisados, indicando que a reação ao tarifaço ultrapassou a disputa partidária e se conectou a uma percepção mais ampla de proteção dos interesses nacionais
Com informações do portal 247
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