Senado debate PEC da Segurança Pública sob pressão para reduzir maioridade penal

Fachada do Congresso Nacional, em Brasília, onde o Senado discute a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública.
Foto: Reprodução/CartaCapital.

TaguaCei — A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública enfrenta divergências no Senado em meio à pressão de parlamentares ligados ao bolsonarismo para incluir mudanças nas regras de responsabilização criminal de adolescentes. A discussão sobre a redução da maioridade penal ameaça dificultar a construção de um acordo e atrasar a votação do texto, que integra a agenda de mudanças na política nacional de segurança pública.

A controvérsia envolve a tentativa de incorporar emendas relacionadas à responsabilização de menores de 18 anos por atos infracionais. A possibilidade de alterar a maioridade penal provoca resistência entre parlamentares e expõe divergências dentro do próprio PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O impasse também coloca em discussão o alcance da proposta original. A PEC da Segurança Pública busca estabelecer diretrizes constitucionais para ampliar a integração entre as forças de segurança, fortalecer a cooperação entre União, estados e municípios e reorganizar competências na área.

A pressão por mudanças na maioridade penal pode deslocar o debate para uma questão mais ampla e controversa: os limites da responsabilização de adolescentes no sistema de Justiça. Atualmente, a Constituição estabelece que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis e estão sujeitos à legislação especial.

A discussão no Senado ocorre em um ambiente de disputa política sobre as respostas do Estado à criminalidade. Enquanto parlamentares favoráveis à redução da maioridade penal defendem o endurecimento das medidas contra adolescentes envolvidos em crimes, opositores argumentam que a alteração não resolve as causas da violência e pode comprometer os direitos previstos na Constituição e no Estatuto da Criança e do Adolescente.

O impasse em torno das emendas pode comprometer o calendário de votação da PEC e dificultar a articulação necessária para aprovar o texto. A definição sobre a inclusão ou não dessas mudanças será decisiva para o andamento da proposta no Senado.

Fonte: CartaCapital.

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