TaguaCei — Apostadores retiraram R$ 652,6 milhões que estavam depositados em contas de sites de apostas desde a publicação da medida provisória que restringe a atuação das bets no Brasil. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Fazenda na sexta-feira (2) e mostram uma redução de 31% no volume de recursos ainda mantidos nessas plataformas.
De acordo com a Fazenda, as empresas que operavam no mercado legal e informaram os valores ao governo ainda mantêm aproximadamente R$ 1,453 bilhão em saldos de apostadores. Ao todo, 28,65 milhões de CPFs continuam com saldo positivo em sites de apostas.
A movimentação ocorre em meio às novas regras para o setor e às discussões sobre bets e apostas no Brasil no TaguaCei.
Prazo para retirada
O prazo para os apostadores retirarem diretamente os valores das contas nas plataformas termina na segunda-feira (5/10). Depois dessa data, os recursos que permanecerem nas contas deverão ser repassados aos usuários pelos bancos que operam com as casas de apostas, a partir de 9 de outubro.
Também haverá uma alternativa para quem tiver valores esquecidos. A partir de 14 de outubro, os recursos poderão ser recuperados mediante solicitação à Caixa Econômica Federal.
O processo ocorre enquanto o governo amplia a fiscalização sobre o setor e busca identificar possíveis irregularidades relacionadas às movimentações financeiras das plataformas.
Governo identifica 48 contas com mais de R$ 500 mil
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, foram identificadas 48 contas com mais de R$ 500 mil. O governo tenta verificar a origem dos recursos e não descarta a possibilidade de que algumas movimentações estejam relacionadas à lavagem de dinheiro.
As informações poderão ser encaminhadas às autoridades responsáveis pela investigação de eventuais ilícitos, incluindo órgãos do Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Polícia Federal.
O tema também está relacionado às discussões sobre fiscalização das apostas esportivas no TaguaCei e às medidas adotadas pelo governo para restringir a atuação de plataformas consideradas irregulares.
Fiscalização de publicidade nas redes sociais
Além do controle sobre os valores depositados nas plataformas, o governo intensificou a fiscalização de conteúdos que promovem as bets nas redes sociais e em aplicativos de mensagens.
Segundo o Ministério da Fazenda, foram identificadas 3,04 mil páginas, perfis, canais, grupos e servidores para os quais foi solicitada a remoção de conteúdo pelas plataformas.
O levantamento inclui:
- 1.974 páginas no Facebook;
- 375 perfis no Instagram;
- 605 canais, grupos e perfis no Telegram;
- 85 perfis no TikTok;
- um servidor no Discord.
De acordo com o governo, os conteúdos identificados no Telegram, Discord e TikTok alcançavam cerca de 3,46 milhões de usuários, membros ou seguidores.
O governo também notificou Apple e Google para retirar 186 aplicativos relacionados às bets de suas lojas virtuais até 6 de outubro.
Além disso, empresas como Google, Meta, YouTube, X, Telegram, TikTok, Kwai e Discord foram notificadas sobre a retirada de publicidade relacionada às casas de apostas.
Ações contra publicidade e crime organizado
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que aproximadamente 3,5 milhões de pessoas foram alcançadas pelas medidas de retirada de publicidade e conteúdos relacionados às casas de apostas.
Segundo o ministro, a articulação entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Fazenda deverá continuar nas próximas semanas.
As autoridades também afirmaram que a Polícia Federal acompanhará possíveis relações entre as bets e o crime organizado, além de eventuais outros ilícitos identificados durante as ações de fiscalização.
As medidas fazem parte de um esforço mais amplo de controle do mercado de apostas digitais e de proteção dos usuários diante dos riscos financeiros associados às plataformas.
Fonte: Correio Braziliense



