Super El Niño: histórico de anos anteriores deixa o Brasil em alerta

Os anos mais expressivos que favoreceram eventos extremos foram: 1992/93; 1994/95; 1997/98;  2015/16; 2023/24

O Brasil se prepara para receber um El Niño de forte intensidade a partir de junho deste ano e o histórico do fenômeno meteorológico no país deixa alerta para seca severa e enchentes.

Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), o El Niño 2026/2027 pode ser o mais forte da história moderna. O fenômeno recebeu o apelido popular de “Super El Niño” e gera preocupações Brasil afora.

Entre 1900 e 2024, acredita-se que pelo menos 30 eventos El Niño tenham ocorrido. Conforme o MetSul, entre os episódios anteriores envolvendo o fenômeno no Brasil, os anos mais expressivos que favoreceram eventos extremos foram: 1992/93; 1994/95; 1997/98; 2015/16; 2023/24.


Entenda o El Niño e seus impactos em eventos anteriores

  • O El Niño é um fenômeno natural do Oceano Pacífico marcado pelo aquecimento anômalo das águas devido ao enfraquecimento dos ventos alísios.
  • Esse enfraquecimento altera a circulação atmosférica global e mantém a temperatura elevada.
  • Provoca clima mais seco no sudeste da Ásia, Austrália, sul da África e no Norte e Nordeste do Brasil.
  • Em 2015/2016, o país registrou recordes nos termômetros com a seca mais severa da história da Amazônia e excesso de chuvas no Sul, com recorde histórico na cota de inundação do Rio Guaíba (RS).
  • Em 2023/2024, houve crise humanitária no Norte/Nordeste, com nível do Rio Negro e Rio Madeira em baixas históricas, além de inundações catastróficas no RS com a combinação de chuvas sucessivas e fatores climáticos.

Entre os eventos do El Niño no Brasil, Estael Sias, mestre em Meteorologia pela Universidade São Paulo (USP), aponta que o período 2015/2016 foi o mais intenso em nível de aquecimento global. À época, o aquecimento das águas do Pacífico equatorial chegou a cerca de 2,6 °C acima da média.

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“Só olhando a intensidade da El Nino e esquecendo os impactos, 2015/2016 foi o mais intenso dos últimos anos e foi também o ano mais quente, ano em que o nível global de aquecimento foi muito alto, foi recorde de aquecimento global, 2015, 2016, depois 2024 por conta do El Nino de 2024”, afirmou Estael.

No entanto, a especialista afirmou que o evento de 2023/2024 foi o mais crítico em impactos práticos e abalo à infraestrutura.

Isso aconteceu porque os extremos se estenderam ao castigar o Sul com enchentes, secar rios no Norte, trazer ondas de calor históricas para o Centro-Oeste e Sudeste.

À época, (entre abril a outubro de 2024), o Distrito Federal enfrentou um período de 167 dias sem precipitações significativas.

El Niño 2015/2016 marcou a seca mais severa do Norte

Durante o El Niño de 2015/2016 a região Norte do país sofreu impactos devastadores, incluindo Matopiba que registrou quebra na safra agrícola. A estiagem severa afetou diretamente a infraestrutura básica, no abastecimento de água potável e transporte hidroviário.

“Comunidades inteiras ficaram isoladas devido à redução drástica do nível dos rios, principal meio de transporte da região. O abastecimento de água, alimentos, combustível e medicamentos tornou-se extremamente difícil”, destacou Janeth Fernandes, engenheira ambiental e presidente da Associação dos Engenheiros Ambientais do Amazonas.

Segundo ela, um dos cenários mais dolorosos que a mesma presenciou foi a morte de “milhares de peixes” em lagos, rios e igarapés do Amazonas devido à seca extrema.

Janeth também destaca que a seca extrema trouxe desconforto térmico à população, agravou problemas respiratórios e favoreceu queimadas, que ampliaram significativamente impactos ambientais.

“A vegetação mais seca torna-se altamente vulnerável ao fogo, facilitando a propagação de incêndios florestais e acelerando a destruição da cobertura vegetal”, afirmou.

El Niño 2023/2024 deixou o Sul do país devastado

Sob influência do El Niño e de frentes frias estacionadas, o Rio Grande do Sul registrou um dos maiores desastres climáticos da história do país, afetando 478 dos 497 municípios e deixando 184 mortos.

O engenheiro ambiental da UERJ, Júlio César, aponta que as chuvas consecutivas provocam a saturação do solo, o que resulta no deslizamentos de encostas e erosão de bases de rodovias. Ele aponta que mapear os pontos críticos é a melhor forma de prevenção.

“É preciso fortalecimento da governança em diferentes níveis de governo, articulação do planejamento e consolidação de uma cultura de prevenção”, afirmou César.

Com informações do Metrópoles

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