Taguacei – Segundo informações divulgadas pelo Brasil 247, o desgaste dos arsenais e os gargalos da indústria de defesa dos Estados Unidos ganharam destaque após o secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, solicitar um orçamento recorde de US$ 1,5 trilhão para o Pentágono em 2027. O cenário é agravado pelo consumo elevado de armamentos de alta precisão na guerra contra o Irã e pela dificuldade de recompor os estoques em curto prazo.
Durante uma audiência no Senado, Hegseth foi questionado sobre a situação dos arsenais e sobre a capacidade da indústria norte-americana de atender às necessidades das Forças Armadas. Especialistas apontam que, apesar do enorme volume de recursos destinados à defesa, existem problemas estruturais na forma como esses investimentos são direcionados.
Benjamin Freeman, diretor do programa de Democratização da Política Externa do Instituto Quincy, afirmou que os recursos não têm sido aplicados de maneira adequada em iniciativas capazes de contribuir efetivamente para a segurança dos Estados Unidos e de seus aliados.
Estoques foram reduzidos após a Guerra Fria
A atual dificuldade de reposição de munições tem raízes no período posterior ao fim da Guerra Fria. Com a dissolução da União Soviética, os Estados Unidos modificaram sua estratégia militar e passaram a priorizar conflitos regionais de menor escala, reduzindo a preparação para guerras prolongadas contra grandes potências.
Segundo o coronel da reserva e mestre em Ciências Militares Paulo Filho, essa mudança também afetou a indústria de defesa ocidental. Países reduziram gastos, estoques e encomendas, enquanto diversas linhas de produção foram encerradas ou passaram a operar em ritmo reduzido.
A indústria passou a trabalhar com volumes de produção adequados a conflitos limitados, e não a guerras convencionais prolongadas que exigissem grande quantidade de munições.
A mudança no cenário internacional começou a ser percebida novamente a partir de 2014, com a anexação da Crimeia pela Rússia e o aumento dos conflitos no leste da Ucrânia.
Em 2022, a guerra na Ucrânia reforçou os limites da capacidade industrial ocidental. Países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) passaram a enfrentar dificuldades para abastecer a Ucrânia sem comprometer seus próprios estoques.
Produção não consegue acompanhar consumo
Para Benjamin Freeman, a expansão da produção de munições não pode ocorrer rapidamente o suficiente para compensar o ritmo de consumo observado nos conflitos atuais.
O problema envolve mais do que simplesmente aumentar os pedidos às empresas. A expansão da capacidade industrial exige novas instalações, equipamentos, trabalhadores especializados e uma cadeia de fornecedores capaz de acompanhar o aumento da demanda.
Segundo a análise apresentada na reportagem, a solução para o problema é de longo prazo, enquanto a necessidade de reposição dos estoques ocorre de forma imediata.
Drones aumentam pressão sobre os arsenais
Outro fator que chama atenção é o crescimento do uso de drones nos conflitos modernos.
O Irã já vinha demonstrando avanços no emprego de mísseis, foguetes e veículos aéreos não tripulados, enquanto os Estados Unidos mantinham sistemas de defesa de alto custo para enfrentar ameaças que podem utilizar equipamentos muito mais baratos.
Um relatório do Centro para uma Nova Segurança Americana (CNAS), publicado em 2025, já havia alertado para os desafios provocados pela chamada guerra de drones.
A preocupação está relacionada principalmente à diferença de custos: sistemas de interceptação que custam milhões de dólares podem ser utilizados para destruir drones significativamente mais baratos.
O documento também apontava que a evolução acelerada dos drones poderia representar um desafio crescente para as forças militares.
Estoque de mísseis Patriot cai
A situação também atingiu os estoques do sistema de defesa antimísseis Patriot.
Dados do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) citados na reportagem mostram que os Estados Unidos possuíam aproximadamente 2.330 mísseis Patriot antes do conflito. O número caiu para cerca de 1.030 em abril, durante o primeiro cessar-fogo, e chegou a uma estimativa entre 759 e 827 unidades no final de julho.
De acordo com a estimativa do CSIS, a recomposição dos estoques dos Patriot pode ocorrer apenas em meados de 2029. Já a reposição de mísseis de cruzeiro como o Tomahawk pode levar até cinco anos para retornar aos níveis anteriores.
O cenário mostra que o aumento dos recursos destinados à defesa não significa, necessariamente, capacidade imediata de produção e reposição de armamentos.
China entra no cálculo estratégico
A redução dos estoques também gera preocupação sobre a capacidade dos Estados Unidos de responder simultaneamente a diferentes crises internacionais.
Especialistas ouvidos na reportagem avaliam que seria exagerado afirmar que os Estados Unidos estejam diante de uma vulnerabilidade militar total e imediata em relação à China. Entretanto, a redução dos arsenais pode influenciar os cálculos estratégicos de Washington e de seus adversários.
A preocupação é especialmente relevante no Indo-Pacífico, região onde os Estados Unidos mantêm uma disputa estratégica de longo prazo com Pequim.
Para Paulo Filho, a situação representa uma vulnerabilidade específica e circunstancial, mas suficientemente importante para servir como alerta ao Pentágono.
Pentágono pede mais investimentos
Durante a audiência no Congresso, Hegseth defendeu a ampliação dos investimentos em áreas como inteligência artificial, guerra espacial, tecnologia e produção de drones.
Segundo o secretário, a falta desses recursos poderia provocar problemas críticos no processo de reabastecimento das Forças Armadas norte-americanas.
O debate, porém, também envolve críticas à estratégia militar adotada pelos Estados Unidos. Especialistas defendem que simplesmente aumentar os gastos não resolve problemas relacionados à estrutura industrial e à política externa.
A guerra contra o Irã, somada aos efeitos da guerra na Ucrânia, colocou pressão sobre os estoques norte-americanos e levantou questionamentos sobre a capacidade de Washington de sustentar conflitos prolongados.
O cenário também amplia a preocupação sobre como os Estados Unidos poderiam responder a um eventual confronto de maior escala envolvendo uma potência militar como a China.
Nota de transparência: Esta matéria foi reescrita com auxílio de inteligência artificial, a partir das informações divulgadas pela fonte mencionada, e passou por revisão editorial.



