A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, nesta sexta-feira (15/6), mais uma fase da Operação Trickster, que investiga esquema de fraudes no sistema de bilhetagem eletrônica do Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTRans). Desta vez, estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, expedidos pela 3ª Vara Criminal de Brasília.
MAIS SOBRE O ASSUNTO
Segundo a Polícia Civil, as investigações apontaram que, no dia 19 de março deste ano, quatro dias após a primeira fase da Trickster, um dos investigados na Operação que estava preso temporariamente recebeu a visita do advogado Rodrigo Duque Dutra na carceragem do Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP) da PCDF. Ele teria sido coagido pelo defensor. Em tom de ameaça, Duque teria dito para o suspeito ficar calado e não delatar o esquema criminoso ao qual fazia parte.Após as investigações, a PCDF verificou que o advogado compareceu à carceragem a pedido do auxiliar administrativo Renato Itajahy Malcotti, ligado à Secretaria de Planejamento. Malcotti tem relação com o ex-auditor fiscal de atividades urbanas do DFTRans Pedro Jorge Oliveira Brasil, um dos alvos da primeira fase da Trickster, deflagrada em março.
Nesta operação, tanto o advogado quanto o servidor estão sendo investigados pelo crime de coação no curso do processo. As medidas estão sendo cumpridas nas casas dos suspeitos, no escritório de advocacia no Setor Comercial Norte e em outro de trabalho.
Esquema bilionário
Segundo a PCDF, o esquema de fraude no sistema de bilhetagem funcionava desde 2014. As fraudes ocorriam por meio da compra de créditos fraudulentos, destinados a empresas de chamada e funcionários fantasmas. As irregularidades podem ter causado prejuízo superior a R$ 1 bilhão aos cofres públicos.
Pedro Jorge Brasil, que era lotado desde 2014 na Subsecretaria de Fiscalização, Auditoria e Controle (Sufisa), da Secretaria de Mobilidade, seria o líder do esquema. Segundo os investigadores, ele utilizava-se do cargo para vincular falsos funcionários ao recebimento de vale-transporte. Outros servidores do DFTrans o ajudavam a alimentar o sistema com as informações.
De acordo com a Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o grupo liderado por Pedro Jorge inseriu dados falsos de 903 pessoas no sistema. Foram criadas 10 empresas fictícias com o objetivo de simular vínculo para geração de créditos de vale-transporte a fim de adquirir vantagens econômicas indevidas.
Em março deste ano, um ano após a primeira fase da Trickster, cinco pessoas foram denunciadas pelo MP, entre elas, Pedro Jorge. Elas responderão por organização criminosa e crime de inserção de dados falsos em sistema de informações. Promotores também pedem reparação mínima de mais de R$ 2,3 milhões pelos danos causados pela prática criminosa.
A operação foi batizada de Trickster, em referência à forma de agir do grupo criminoso, uma vez que na mitologia e no estudo do folclore e da religião, um trickster é um Deus, Deusa, espírito, homem, mulher ou animal antropomórfico que prega peças ou desobedece regras e normas de comportamento.
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Fonte: Mirelle Pinheiro