TaguaCei – Uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo identificou possíveis conexões entre empresas e pessoas relacionadas à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia fictícia sobre Jair Bolsonaro, e indivíduos apontados por órgãos de investigação como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). As informações constam de cerca de cinco mil páginas de documentos que tiveram o sigilo retirado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
No despacho, divulgado neste domingo (13), Dino afirma que os documentos levantam a hipótese de um esquema de captação, destinação e eventual desvio de recursos públicos, envolvendo, entre outros mecanismos, emendas parlamentares federais e contratos firmados com a Prefeitura de São Paulo.
O ministro determinou que o material produzido pela Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens passe a tramitar publicamente no STF. Também ordenou que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo encaminhe à Polícia Federal celulares, computadores, documentos e dados extraídos de equipamentos apreendidos durante a investigação.
Dino autorizou ainda o acesso a Relatórios de Inteligência Financeira do Coaf relacionados à empresária Karina Ferreira da Gama e ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). O pedido havia sido anteriormente rejeitado pela Justiça estadual.
Contratos e empresa apontada como ligada ao PCC
Um dos pontos investigados envolve os vínculos contratuais e financeiros de Karina Ferreira da Gama, presidente do ICB e sócia da Go Up Entertainment, com a empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda.
Segundo os documentos citados na investigação, a empresa pertencia, à época, a Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo como integrante relevante do PCC e conhecido pelo apelido de “Escorpião”.
O ICB firmou com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia de São Paulo um termo de colaboração relacionado ao programa Wi-Fi Livre SP, destinado à instalação, operação e manutenção de cinco mil pontos de internet em comunidades da capital paulista.
O contrato teria valor inicial de aproximadamente R$ 108 milhões anuais e, posteriormente, aditivos elevaram o montante para cerca de R$ 157 milhões, segundo os documentos da investigação.
Ainda de acordo com a apuração, o ICB subcontratou a Favela Conectada. O contrato chegou a aproximadamente R$ 12 milhões. Notas fiscais registram pagamentos de R$ 500 mil em 24 de junho de 2025, R$ 500 mil em 4 de julho e R$ 2 milhões em 7 de julho daquele ano.
Até dezembro de 2025, a empresa havia recebido mais de R$ 2 milhões, conforme os documentos mencionados na investigação.
A defesa de Alex Leandro nega que ele pertença à facção criminosa e também contesta a acusação relacionada ao feminicídio pelo qual responde. O ICB afirmou que a empresa estava regular e que desconhecia eventuais vínculos criminais. A Prefeitura de São Paulo informou que mantém contrato diretamente com o instituto.
Suspeitas envolvendo emendas parlamentares
O despacho de Flávio Dino também menciona o deputado federal Mário Frias, que teria, segundo a investigação, papel de liderança na suposta estrutura analisada pelas autoridades.
Ex-secretário de Cultura, Frias atua como roteirista e produtor executivo de “Dark Horse”. A Controladoria-Geral da União identificou indícios de irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao ICB e à Academia Nacional de Cultura, entidade também relacionada a Karina Gama.
A Polícia Federal identificou ainda transferências pessoais de aproximadamente R$ 645,4 mil realizadas por Frias para a Go Up entre novembro e dezembro de 2025.
No dia 10 de setembro, a PF deflagrou a Operação Make Up, autorizada por Flávio Dino, com o cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
Segundo o STF, a investigação apura a possibilidade de desvio de recursos provenientes de emendas destinadas ao ICB e à Academia Nacional de Cultura para financiar a produção do filme. Dino determinou a suspensão das atividades econômicas das duas entidades e impôs medidas cautelares.
A defesa de Mário Frias nega irregularidades e afirma que as emendas parlamentares foram destinadas a finalidades sociais.
Investigação também cita Daniel Vorcaro
Outro trecho citado no material divulgado relaciona a investigação ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo informações divulgadas pelo ICL Notícias, a Polícia Federal teria identificado uma transferência de R$ 10 mil relacionada a uma articulação para garantir proteção a Vorcaro durante sua permanência na prisão.
Relatórios policiais teriam apontado movimentações financeiras e mensagens envolvendo integrantes do grupo conhecido como “A Turma”, ligado a Vorcaro segundo as investigações. O dinheiro teria sido transferido por Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo, para o advogado André Luis Chagas Bergeralck.
A apuração sobre essas movimentações ocorre paralelamente a outras investigações relacionadas ao Banco Master e a supostas conexões entre agentes públicos, empresários e grupos ligados ao crime organizado.
As suspeitas mencionadas no material ainda são objeto de investigação, e as pessoas citadas negam irregularidades ou vínculos criminosos quando contestam as acusações.
Fonte: Portal Vermelho, com informações atribuídas à Polícia Civil de São Paulo, Polícia Federal, STF e ICL Notícias.
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



