Pesquisadores identificaram anticorpos capazes de bloquear a infecção pelo vírus Epstein-Barr, um dos patógenos mais comuns do mundo e associado a diversos tipos de câncer e outras doenças crônicas. Em testes com animais, um desses anticorpos conseguiu impedir completamente que o vírus infectasse células do sistema imunológico.
O vírus Epstein-Barr infecta cerca de 95% da população mundial ao longo da vida. Em muitos casos ele permanece silencioso no organismo, mas também pode estar ligado ao desenvolvimento de algumas doenças, incluindo certos tipos de linfoma e condições inflamatórias e neurológicas.
A descoberta foi feita por cientistas do Fred Hutch Cancer Center, nos Estados Unidos, e publicada na revista científica Cell Reports Medicine em 17 de fevereiro. Para encontrar possíveis formas de bloquear o vírus, a equipe utilizou camundongos geneticamente modificados capazes de produzir anticorpos humanos.
Segundo o bioquímico Andrew McGuire, um dos autores do estudo, desenvolver anticorpos eficazes contra o vírus tem sido um desafio porque ele consegue se ligar com facilidade às células do sistema imunológico.
“Encontrar anticorpos humanos que impeçam o vírus Epstein-Barr de infectar nossas células tem sido particularmente difícil”, afirmou o pesquisador, em comunicado.
Como os anticorpos bloqueiam o vírus
Os cientistas concentraram a investigação em duas proteínas presentes na superfície do vírus, a gp350 e a gp42. A primeira ajuda o patógeno a se ligar às células humanas, enquanto a outra permite que ele se funda à célula e consiga entrar nela.
Ao estudar essas estruturas, os pesquisadores identificaram vários anticorpos capazes de reconhecer as proteínas. Nos testes realizados em laboratório e em modelos animais, um anticorpo direcionado a uma dessas proteínas bloqueou completamente a infecção pelo vírus, enquanto outro apresentou proteção parcial.
A descoberta também mostrou pontos vulneráveis do vírus que podem orientar o desenvolvimento de futuras vacinas ou terapias baseadas em anticorpos.
Possível uso em pacientes transplantados
Os pesquisadores acreditam que esse tipo de terapia pode ser especialmente útil para pessoas que passam por transplantes de órgãos ou de medula óssea. Os pacientes precisam usar medicamentos que reduzem a atividade do sistema imunológico, o que pode permitir que o vírus se reative ou se espalhe com mais facilidade.
Em alguns casos, essa reativação pode provocar doenças linfoproliferativas associadas ao Epstein-Barr, uma forma grave de linfoma que pode surgir após o transplante.
“A prevenção da replicação do vírus tem grande potencial para reduzir essas complicações e melhorar os resultados dos transplantes”, afirmou a médica infectologista Rachel Bender Ignacio, do Fred Hutch e da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington.
Segundo os cientistas, a ideia é que no futuro os anticorpos possam ser administrados por infusão para prevenir a infecção ou a reativação do vírus em pessoas com maior risco. Antes disso, ainda serão necessários mais estudos para avaliar a segurança e a eficácia da estratégia em humanos
Com informações do portal Metrópoles
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