TaguaCei — A expansão das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, está mudando a forma como hospitais e operadoras de planos de saúde avaliam o tratamento da obesidade. O impacto financeiro dessas terapias, a necessidade de acompanhamento prolongado e a relação com procedimentos cirúrgicos estão entre os temas que serão debatidos no Healthcare Innovation Show (HIS) 2026, em São Paulo.
Dados do Ministério da Saúde citados no debate apontam que 62,6% dos adultos brasileiros estão acima do peso e 24,3% têm obesidade. A prevalência da obesidade aumentou 118% nas últimas duas décadas, ampliando a demanda por tratamentos tanto no sistema público quanto na saúde suplementar.
Para o cirurgião Ricardo Cohen, diretor do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a avaliação dos medicamentos não deve considerar apenas o preço. Segundo ele, é necessário analisar os resultados obtidos ao longo do tratamento e os custos associados à evolução da doença.
O especialista afirma que, em determinados pacientes, tratamentos farmacológicos mantidos por longos períodos e com baixa adesão podem representar um custo maior do que uma intervenção cirúrgica.
Relação com a cirurgia bariátrica
A expansão dos tratamentos medicamentosos e dos atendimentos ambulatoriais ocorre paralelamente à redução do número de cirurgias bariátricas no Brasil. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) apontam uma queda de 18% no volume de procedimentos entre 2023 e 2024.
Especialistas, no entanto, ressaltam que medicamentos e cirurgia não necessariamente representam tratamentos concorrentes. A escolha depende das condições clínicas de cada paciente, da resposta à terapia e da necessidade de acompanhamento contínuo.
Cohen também alerta para os riscos da interrupção do tratamento sem orientação profissional. Segundo ele, a suspensão inadequada pode favorecer a perda de massa magra e o chamado efeito sanfona, além de contribuir para o retorno de complicações relacionadas à obesidade.
Tratamento precisa ser integrado
Para o especialista, hospitais precisam estruturar a assistência à obesidade como uma linha de cuidado integrada, envolvendo profissionais de diferentes áreas, como nutrição, endocrinologia, psicologia, atividade física e cirurgia.
A proposta é acompanhar o paciente de forma contínua, sem abandonar a capacidade cirúrgica. Parte das pessoas que utilizam medicamentos à base de GLP-1 pode eventualmente necessitar de cirurgia por resposta insuficiente ao tratamento ou pela ocorrência de complicações.
Outro ponto de atenção é o uso sem prescrição e o comércio informal dos medicamentos. Cohen defende diagnóstico adequado, prescrição responsável e maior fiscalização para evitar que tratamentos destinados à obesidade sejam utilizados de maneira inadequada ou exclusivamente por razões estéticas.
O HIS 2026 ocorre em 16 e 17 de setembro, em São Paulo, reunindo representantes de hospitais, operadoras de planos de saúde, indústria farmacêutica e startups.
Fonte: Correio Braziliense
Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.



