Escola de Goiás é 3ª melhor do país no Ideb, mas aparece em 8.268º no ranking do Enem

O ensino médio de Goiás aparece entre os melhores do país no Ideb, mas o desempenho das escolas estaduais no Enem revela um cenário bastante diferente. Das 20 instituições mais bem avaliadas pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, 10 estão em Goiás, sendo cinco no município de Formosa, próximo ao Distrito Federal. As informações são do Metrópoles.

O contraste é evidenciado pelo desempenho do Colégio Estadual Doutor José Balduíno de Souza Décio, em Formosa. A instituição ocupa a terceira colocação nacional no Ideb, mas aparece apenas na 8.268ª posição em um ranking baseado na média das escolas no Enem.

Outra escola de Formosa, o Colégio Estadual de Educação do Campo Arthur Ribeiro de Magalhães Filho, também apresenta grande diferença entre os indicadores. Considerada a nona melhor instituição do país pelo Ideb, aparece na 13.118ª colocação no ranking do Enem.

Nenhuma escola de Goiás chega a 600 pontos

Apesar das posições de destaque no Ideb, nenhuma das escolas públicas goianas entre as melhores do país alcançou média de 600 pontos no Enem.

A instituição que mais se aproximou dessa marca foi o Colégio Estadual da Polícia Militar de Goiás Madre Germana, em Aparecida de Goiânia, com média de 576 pontos. A escola aparece na sexta colocação nacional no ranking do Ideb.

Já o menor desempenho entre as instituições analisadas foi registrado pelo Colégio Estadual de Educação do Campo Arthur Ribeiro de Magalhães Filho, com média de 432,33 pontos no Enem.

O contraste entre Ideb e Enem, porém, não é observado da mesma forma em todos os estados. Segundo a reportagem, situações semelhantes aparecem principalmente em Alagoas e Ceará.

Ideb alto significa aprendizagem maior?

Para a professora Catarina de Almeida Santos, do Departamento de Planejamento e Administração da Universidade de Brasília (UnB), um resultado elevado no Ideb não significa necessariamente que os estudantes estejam aprendendo mais.

Segundo a especialista, como as avaliações utilizadas pelo indicador concentram-se principalmente em português e matemática e apresentam conteúdos relativamente previsíveis, escolas e redes de ensino podem desenvolver estratégias específicas para elevar suas notas.

Ela cita, entre essas estratégias, a retirada de estudantes com desempenho mais baixo das avaliações ou até mesmo o encaminhamento de alunos em situação de distorção entre idade e série para a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Na avaliação da professora, essas práticas podem contribuir para melhorar os índices sem representar, necessariamente, um avanço equivalente na aprendizagem dos estudantes.

Enem exige habilidades diferentes

A diferença entre os resultados também estaria relacionada ao perfil das avaliações.

Enquanto o Ideb utiliza indicadores de rendimento escolar e desempenho em avaliações de português e matemática, o Enem exige dos estudantes conhecimentos mais amplos e habilidades como interpretação, análise e reflexão.

Para Catarina, o contraste entre os dois resultados ajuda a demonstrar que um Ideb elevado não necessariamente representa um processo de aprendizagem mais consistente.

A reportagem também ouviu profissionais da educação em Formosa. Uma professora afirmou que parte dos estudantes das escolas visitadas demonstra maior interesse em concluir a educação básica e ingressar diretamente no mercado de trabalho. Nesse contexto, o Enem acaba sendo visto como uma alternativa menos imediata.

Educação além do mercado de trabalho

Catarina Almeida considera que reduzir a educação à preparação para o mercado de trabalho pode limitar a formação dos estudantes.

Na avaliação dela, a escola e a universidade também devem oferecer condições para que os alunos desenvolvam uma visão mais ampla do mundo, além da formação profissional.

O Metrópoles informou que procurou a Secretaria de Educação de Goiás para comentar os resultados e as avaliações apresentadas na reportagem, mas não recebeu resposta até a última atualização.

Enem 2026

O Enem 2026 será aplicado em dois domingos de novembro: 8 e 15 de novembro.

A prova terá quatro áreas do conhecimento, cada uma com 45 questões, totalizando 180 questões:

  • Ciências da Natureza e suas Tecnologias;
  • Ciências Humanas e suas Tecnologias;
  • Linguagens, Códigos e suas Tecnologias;
  • Matemática e suas Tecnologias.

Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.

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