Pessoas com deficiência recebem 30% menos e enfrentam menor ocupação no mercado de trabalho

Texto alternativo: Pessoa em cadeira de rodas, em imagem que representa os desafios enfrentados por pessoas com deficiência no mercado de trabalho e na sociedade.
Crédito da foto: Steve Buissinne/Pixabay

TaguaCei — Pessoas com deficiência (PcDs) enfrentam desigualdades significativas no mercado de trabalho, na educação e na participação social. É o que aponta um estudo divulgado pelo IBGE, elaborado a partir de dados do Censo Demográfico 2022 e de outras bases oficiais.

Segundo o levantamento, o rendimento médio do trabalho das pessoas com deficiência era de R$ 2.053 por mês em 2022. O valor correspondia a cerca de 71% da renda média registrada entre pessoas sem deficiência, de R$ 2.890.

O Brasil tinha, naquele ano, 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com 2 anos ou mais de idade. A dificuldade para enxergar era a condição mais frequente, atingindo 7,9 milhões de pessoas, seguida pela dificuldade para caminhar ou subir degraus, com 5,1 milhões.

Menor participação no mercado de trabalho

A diferença também aparece na taxa de ocupação. Enquanto 55,8% das pessoas sem deficiência estavam ocupadas, o índice entre PcDs era de apenas 29% — uma diferença de 26,8 pontos percentuais.

O levantamento mostra ainda que pessoas com deficiência estão mais concentradas em atividades que apresentam rendimentos médios menores, como serviços domésticos, agropecuária e os setores de alojamento e alimentação.

A desigualdade também é observada entre homens e mulheres. Entre os homens com deficiência, a taxa de ocupação era de 35,4%. Entre as mulheres, o percentual caía para 24,4%. No caso das mulheres sem deficiência, o índice chegava a 47%.

A dificuldade de inserção profissional pode ser observada também na oferta de vagas destinadas a PcDs, que aparece regularmente nas agências do trabalhador do Distrito Federal.

Responsabilidades de cuidado ampliam desigualdades

O estudo analisou ainda pessoas de 15 a 59 anos que vivem em domicílios com crianças de 2 a 14 anos e/ou idosos a partir de 60 anos com deficiência.

Entre as mulheres que moravam em casas com crianças com deficiência, a taxa de ocupação era de 43,1%. O índice ficava 12 pontos percentuais abaixo dos 55,2% registrados entre mulheres que viviam em domicílios com crianças sem deficiência.

Entre os homens, a diferença praticamente não aparecia. As taxas de ocupação eram de 69,7% nos domicílios com crianças com deficiência e de 69,5% naqueles sem crianças nessa condição.

Para João Hallak, analista da Gerência de Indicadores Sociais do IBGE, os números estão relacionados à necessidade de cuidados, que pode ser distribuída de maneira desigual entre homens e mulheres.

Renda das famílias também é menor

As diferenças não se restringem ao salário individual. Em 2022, os arranjos domiciliares que tinham pessoas com deficiência apresentavam rendimento médio de R$ 3.626.

O valor equivalia a 76,4% dos R$ 4.748 registrados nos domicílios sem pessoas com deficiência.

A composição da renda também era diferente. Nos domicílios com PcDs, o trabalho correspondia a 55,7% do rendimento total, enquanto outras fontes respondiam por 44,3%.

Entre os domicílios sem pessoas com deficiência, a renda proveniente do trabalho representava 78,4% do total. Outras fontes correspondiam a 21,6%.

Segundo o pesquisador André Simões, do IBGE, uma possível explicação está na composição etária da população com deficiência e na maior participação de aposentadorias, pensões e benefícios sociais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Grau de deficiência interfere na ocupação

O tipo e a intensidade da deficiência também estão associados à participação no mercado de trabalho.

Entre pessoas com deficiência severa, o nível de ocupação era de 30,5%. No grupo com deficiência profunda, o percentual caía para 21,2%.

Considerando os diferentes tipos de dificuldade analisados pelo IBGE, a menor taxa de ocupação era registrada entre pessoas com limitações nas funções mentais: 12,9%.

Já entre aquelas com dificuldade para enxergar, o nível de ocupação chegava a 35,9%, o maior entre os grupos considerados.

Os dados reforçam desafios já identificados em levantamentos anteriores sobre inclusão de pessoas com deficiência no Brasil, especialmente no acesso à educação, ao emprego e à renda.

Desigualdade também envolve gênero e raça

O estudo do IBGE identificou ainda diferenças de rendimento relacionadas a sexo e cor ou raça.

Os menores rendimentos aparecem nos domicílios formados por mulheres e pela população preta ou parda, principalmente quando há pessoas com deficiência.

Para Luanda Botelho, coordenadora de População e Indicadores Sociais do IBGE, uma das principais contribuições da pesquisa é justamente reunir diferentes dimensões da vida das PcDs, incluindo participação social, ambiente familiar e acesso a direitos.

A análise considera informações do Censo Demográfico 2022, da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), do Censo Escolar, do Censo da Educação Superior, do Tribunal Superior Eleitoral e do Painel Estatístico de Pessoal do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

O levantamento mostra, portanto, que as desigualdades enfrentadas pelas pessoas com deficiência não estão concentradas em apenas uma área. Elas aparecem simultaneamente na educação, no trabalho e na renda, com impactos sobre a autonomia e as condições de vida dessa parcela da população.

Crédito da foto: Steve Buissinne/Pixabay

Texto alternativo: Pessoa em cadeira de rodas, em imagem que representa os desafios enfrentados por pessoas com deficiência no mercado de trabalho e na sociedade.

Fonte: Correio Braziliense

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