Chegada da primavera renova rotina de quem faz atividades ao ar livre

Parque da Cidade, em Brasília, durante a transição do período de seca para a primavera, com vegetação do cerrado e área utilizada para atividades ao ar livre.
Foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press

TaguaCei — Depois de meses de calor intenso, céu aberto e baixa umidade, a chegada da primavera muda a paisagem e também a rotina de quem pratica atividades físicas ao ar livre no Distrito Federal. Corridas, pedaladas, caminhadas e exercícios em parques voltam a ganhar espaço com a expectativa de temperaturas mais agradáveis e aumento gradual da umidade. A estação começa às 21h05 desta terça-feira (22).

A primavera marca a transição entre o período de seca e a estação chuvosa no Distrito Federal. Neste ano, porém, a previsão indica um cenário diferente do habitual. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as temperaturas devem ficar pelo menos 1°C acima da média, entre 23°C e 24°C, enquanto o acumulado de chuva pode ficar cerca de 100 milímetros abaixo do esperado para o trimestre, estimado em 500 milímetros.

Isso não significa ausência de chuva. A tendência é de períodos mais prolongados de tempo seco intercalados com episódios de precipitação mais intensa. De acordo com o meteorologista do Inmet Leydson Dantas, um único evento de tempestade pode representar uma parcela significativa da chuva registrada em determinado mês.

A expectativa de melhora na umidade também pode beneficiar quem mantém uma rotina de esportes e exercícios. Entre outubro e novembro, a umidade tende a aumentar gradualmente, reduzindo a sensação de secura característica dos meses anteriores.

A relação entre clima e prática esportiva também aparece em outras iniciativas de esporte inclusivo no Distrito Federal, que ampliam o acesso à atividade física em diferentes públicos.

Mudanças na rotina

A chegada da nova estação já é aguardada por quem precisou adaptar os horários dos treinos durante os meses mais secos. É o caso de Felipe Augusto Campos Soares, de 35 anos. Bombeiro militar, ele frequenta o Parque da Cidade cerca de cinco vezes por semana e alterna corrida, bicicleta e exercícios de musculação nas barras.

Durante a seca, Felipe precisou modificar a rotina para enfrentar o calor e o ar seco.

“Tem sido realmente um período difícil de praticar atividade. Fica bem quente e seco, então a gente percebe nos treinos a diferença”, contou.

Com a chegada da primavera, a expectativa é de melhores condições para manter a constância. Segundo ele, a melhora na temperatura e na qualidade do ar pode fazer diferença durante os exercícios.

A prática de ciclismo também integra a rotina de muitos moradores do DF que aproveitam parques e áreas abertas para se exercitar.

A psicóloga clínica Helena Abdalla, de 42 anos, também precisou alterar os horários das corridas durante a seca. Adepta da modalidade, ela transformou a atividade em uma forma de autocuidado.

“A seca é bem mais difícil de respirar, faz muito calor, então eu tinha que vir bem mais cedo do que eu estou acostumada para conseguir correr”, relatou.

Para Helena, a chegada de temperaturas mais amenas representa um estímulo adicional para manter a regularidade.

“Vai ser ótimo treinar com um clima mais fresquinho. Correr na sombra faz muita diferença, dá um fôlego a mais, dá uma disposição a mais”, afirmou.

Atividade física em diferentes idades

A mudança na estação também é esperada por pessoas mais velhas. Aos 83 anos, o aposentado Tadeu Gonzaga mantém uma rotina de exercícios e vai à academia cinco vezes por semana, onde pratica musculação e utiliza a esteira.

Para ele, um dos principais obstáculos durante a seca é justamente a baixa umidade.

“O problema maior é essa falta de umidade. Você sente muita sequidão, tem que constantemente se hidratar para conseguir treinar”, contou.

Tadeu também observa a transformação da paisagem de Brasília durante a primavera. Com o fim gradual do período seco, as árvores começam a recuperar folhas e flores.

“Você vê as árvores secas no inverno e, depois, vê todas as folhas brotando. É uma dádiva e extremamente estimulante na hora de praticar atividade”, observou.

A atividade física também está presente em projetos voltados à inclusão por meio do esporte no DF, com ações destinadas a diferentes faixas etárias e públicos.

Cuidados durante a primavera

Apesar da melhora gradual da umidade, a previsão de uma primavera mais quente e com chuva abaixo da média exige atenção de quem pratica exercícios ao ar livre. Segundo o Inmet, períodos secos podem ser interrompidos por tempestades fortes, acompanhadas de raios e ventos.

Por isso, é importante acompanhar a previsão do tempo antes de sair para correr, caminhar ou pedalar. Durante tempestades, a recomendação é evitar áreas abertas e procurar locais protegidos.

Os cuidados também envolvem a hidratação. Para o clínico geral Lucas Albanaz, diretor clínico do Hospital Santa Lúcia Gama, a transição entre a seca e o período chuvoso ainda pode apresentar dias quentes, secos e com presença de poeira e resíduos de fumaça de queimadas.

Esse cenário pode favorecer irritações no nariz, garganta e olhos e agravar problemas respiratórios, como rinite, sinusite e asma.

A prática regular de exercícios deve ser acompanhada de cuidados com a hidratação, especialmente nos dias mais quentes. Segundo Albanaz, a sede nem sempre é um indicador suficiente, principalmente entre idosos.

A recomendação é beber água regularmente ao longo do dia e manter a hidratação durante os exercícios, principalmente em atividades prolongadas.

Melhor horário para treinar

Para quem pretende aproveitar a primavera para aumentar a frequência das atividades físicas, o médico recomenda escolher horários com temperaturas mais amenas.

“Exercícios ao ar livre devem ser concentrados preferencialmente no início da manhã ou no final da tarde. Recomenda-se evitar esforço mais intenso entre 10 e 16 horas nos períodos de baixa umidade, quando o calor e o ressecamento costumam ser maiores”, ressaltou.

A orientação vale especialmente para períodos em que a umidade continuar baixa. Mesmo com a chegada das chuvas, a combinação de calor, exposição ao sol e esforço físico pode aumentar a necessidade de reposição de líquidos.

A nova estação, portanto, muda gradualmente as condições para quem ocupa os espaços verdes de Brasília. Com atenção à previsão meteorológica, hidratação adequada e escolha dos horários, parques e áreas abertas tendem a voltar a integrar com mais frequência a rotina de quem busca qualidade de vida por meio da atividade física.

Fonte: Correio Braziliense

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Artigos Relacionados:
Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *