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Eleições 2026: estratégias e narrativas em jogo

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A disputa política nas redes sociais ao longo das últimas semanas revela, com nitidez, como esquerda e extrema-direita vêm organizando suas estratégias narrativas no contexto atual de pré-campanha. Mais do que a circulação de temas, o que está em jogo é a capacidade de enquadramento — isto é, de definir não apenas sobre o que se fala, mas como se interpreta a realidade e se distribuem responsabilidades.

O eixo econômico se consolidou como organizador central do debate digital recente, ainda que apropriado de formas distintas pelos campos em disputa. Eventos externos, como a Guerra do Irã e a consequente alta dos combustíveis, funcionam como gatilhos exógenos. No entanto, são rapidamente internalizados como elementos de conflito doméstico. A esquerda tende a enquadrá-los como choques internacionais, defendendo respostas governamentais ativas, sobretudo no controle da inflação e na proteção do poder de compra sob o governo Lula. Já a extrema-direita mobiliza uma estratégia recorrente de nacionalização da culpa, conectando diretamente o aumento do custo de vida, o endividamento das famílias e a carga tributária ao governo federal. Trata-se de uma disputa dentro de um mesmo campo semântico — a economia cotidiana —, mas com atribuições causais opostas.

Paralelamente, observa-se um esforço consistente da esquerda em sustentar uma agenda positiva combinada com contraste retrospectivo. A mobilização de temas como o fim da escala 6X1 e a soberania sobre terras raras indica uma tentativa de ancorar o debate em políticas públicas concretas, em contraposição ao que foi o governo Bolsonaro. Esse movimento busca evitar que a comunicação se torne exclusivamente reativa. Ao mesmo tempo, os ataques a Flávio Bolsonaro seguem uma lógica de deslegitimação moral e jurídica, funcionando como complemento potente — mas não substituto — da disputa programática.

Do outro lado, a extrema-direita busca coesionar sua narrativa a partir de um diagnóstico de erosão institucional e corrupção sistêmica. A vinculação entre o governo Lula, o Banco Master e o ministro do STF Alexandre de Moraes sugere a construção de um “ecossistema de suspeição”, no qual diferentes instituições são conectadas sob um mesmo enquadramento de crise. Esse tipo de narrativa amplia o alcance do ataque político: não se trata apenas de questionar o Executivo, mas de tensionar o arranjo institucional como um todo. Não por acaso, esse enquadramento tem servido de base para campanhas ao Senado que se estruturam em torno da defesa do impeachment de ministros do Supremo.

Há, nesse movimento, uma tentativa de retomada da agenda “antissistema” por parte da extrema-direita, inclusive como resposta à estratégia do governo Lula e da esquerda de enquadrá-los como defensoras de privilégios — contrária ao fim da escala 6X1 e alinhada aos interesses de bets, bancos e bilionários — e enquanto força antipatriótica auxiliar dos interesses dos Estados Unidos no Brasil, favoráveis a taxação das exportações brasileiras. Mais recentemente, como visto no discurso de Flávio Bolsonaro na Cepac, surge a narrativa da oferta de terras raras como moeda de troca para o apoio de Trump a sua candidatura à Presidência.

Diante da limitação por não ocupar o Executivo — e, portanto, não dispor de instrumentos diretos de intervenção econômica, como ocorreu no governo Bolsonaro —, resta a esses atores a construção de narrativas centradas no pânico econômico e na ideia de corrupção sistêmica. Enquanto o governo Lula e a esquerda atuam na comparação com o governo anterior, na visibilidade de suas políticas e na desconstrução do opositor.

Nesse contexto, a disputa nesta pré-campanha se dá não apenas no plano das propostas, mas, sobretudo, na capacidade de moldar percepções sobre a origem e a natureza das crises relacionadas ao ambiente econômico e ou institucional. Sendo que as redes sociais, agora incrementadas pelo uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) na produção e disseminação de conteúdos e narrativas, serão novamente um palco decisivo.

Em um ambiente marcado por narrativas polarizadoras, pela fragmentação do debate público e pelo uso intensivo de novas tecnologias, a fronteira entre interpretação e fato se torna cada vez mais difusa. Corremos o risco de ver vencer nas urnas em 2026 não quem tiver as melhores propostas, mas quem conseguir impor, com mais eficácia, sua própria versão da realidade.

Com informações do Correio Braziliense

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