A seis meses das eleições presidenciais, a corrida por alianças com partidos de centro intensifica a disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com movimentos estratégicos nos estados para fortalecer palanques regionais e ampliar a base política, relata o jornal O Globo.
Os dois pré-candidatos concentram esforços para garantir apoio de siglas do chamado ‘centrão’, como União Brasil, PP, PSD e Republicanos, consideradas fundamentais para dar sustentação eleitoral e tempo de campanha.
O senador Flávio Bolsonaro aparece com leve vantagem numérica nas articulações estaduais, tendo encaminhado alianças em 18 unidades da federação com partidos de centro. Já o campo liderado por Lula soma acordos em 16 estados com essas mesmas legendas, em um cenário ainda em consolidação.
No caso da federação União-PP, o PL deve integrar a mesma base em ao menos nove estados. Entre os exemplos estão o Distrito Federal, onde há sinalização de apoio à candidatura de Celina Leão (PP), e a Bahia, onde Flávio tende a dividir palanque com ACM Neto (União). Apesar disso, dirigentes da federação mantêm cautela quanto a um alinhamento nacional com o senador.
O presidente do PP, Ciro Nogueira, indicou que a decisão dependerá da postura política do pré-candidato. “Só depende dele (Flávio)”, afirmou. Segundo ele, a definição sobre eventual apoio deve ocorrer até junho.
Enquanto a federação União-PP ainda não formalizou posição nacional, há estados em que lideranças locais se aproximam do campo petista. No Amapá, por exemplo, o governador Clécio Luís (União) deve disputar a reeleição com alinhamento ao grupo de Lula. Já na Paraíba, o governador Lucas Ribeiro (PP) declarou apoio ao presidente em sua campanha.
Em outros casos, as alianças permanecem indefinidas. Em Pernambuco, a federação União-PP reúne lideranças com posições divergentes, incluindo nomes ligados ao bolsonarismo e outros mais próximos do governo federal. A tendência é de apoio à governadora Raquel Lyra (PSD), enquanto o PT deve apoiar João Campos (PSB).
Dentro do União Brasil, há expectativa de alinhamento nacional com Flávio Bolsonaro. O líder do partido na Câmara, Pedro Lucas Fernandes, indicou preferência pelo senador: “Não tem neutralidade, quem não tem lado, não tem vez. Eu acho que vai ser Flávio”.
Situação semelhante ocorre no Republicanos, que já tem acordos com o PL em seis estados, incluindo São Paulo, onde o governador Tarcísio de Freitas deve disputar a reeleição com apoio do bolsonarismo. Em contrapartida, há aproximações com o PT em outras regiões, como Pernambuco. O presidente da sigla, Marcos Pereira, afirmou que a decisão nacional ainda não foi tomada: “Está indefinido. Temos muito tempo pela frente ainda”.
Se Flávio Bolsonaro avança em alianças com União-PP e Republicanos, o presidente Lula apresenta vantagem estratégica no PSD, partido que tem priorizado acordos com o PT nos estados. A legenda estará ao lado do petista em pelo menos nove unidades da federação, incluindo Rio de Janeiro e Mato Grosso.
Até o momento, são apenas três estados em que PSD e PL compartilham o mesmo palanque. Em Minas Gerais, há possibilidade de composição, mas sem definição concreta. Em outras dez unidades da federação, o partido ainda não firmou alianças com nenhum dos principais pré-candidatos.
O PSD lançou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência, mas enfrenta dificuldades para consolidar apoio nacional. Caiado tem articulações em estados como Paraná e Santa Catarina, porém deve dividir espaço com Flávio Bolsonaro nesses territórios.
No campo petista, a estratégia considera a possibilidade de que partidos de centro evitem um alinhamento nacional formal. O vice-presidente nacional do PT, Jilmar Tatto, avalia que as legendas devem liberar diretórios estaduais para decisões autônomas. “MDB e PSD não vão apoiar Flávio oficialmente. E a confusão é tão grande dentro do União e dentro do PP que não sei vão conseguir apoiar o Flávio. A tendência do Centrão é liberar”, afirmou.
O cenário revela uma disputa fragmentada e dinâmica, em que alianças regionais ganham peso decisivo na construção das campanhas presidenciais e podem influenciar diretamente o equilíbrio de forças na eleição de 2026.
Com informações do Correio Braziliense
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