Segundo especialistas em concursos ouvidos pelo Correio, o período exige ajustes estratégicos: não há espaço para improviso, mas é possível refinar o desempenho e ganhar competitividade com escolhas mais eficientes
As inscrições para o concurso da Câmara dos Deputados entram em sua fase decisiva e seguem abertas até 26 de janeiro. Com 70 vagas imediatas para os cargos de analista e técnico legislativo e salários que podem chegar a R$ 30.853,99, o certame atrai candidatos de todo o país.
Com a prova marcada para 8 de março, os concorrentes têm pela frente apenas seis semanas de preparação. Segundo especialistas em concursos ouvidos pelo Correio, o período exige ajustes estratégicos: não há espaço para improviso, mas é possível refinar o desempenho e ganhar competitividade com escolhas mais eficientes.
Os especialistas reforçam que não existem atalhos. A chave para as últimas semanas está na regularidade dos estudos e no realismo quanto às expectativas. “Não dá para esperar um milagre. O mais importante é manter a disciplina e a constância”, afirma a professora Júlia Branco, do Estratégia Concursos.
O professor Eduardo Cambuy, do Gran Concurso, lembra que a insegurança faz parte do processo. “O concurso é um jogo de paciência, de passos pequenos. Muitas vezes, a gente se subestima, mas a aprovação pode vir mesmo quando o candidato não se sente totalmente seguro.”
Confira seis orientações para a reta final:
1. Esqueça a obsessão por “fechar o edital”
A tentativa de “fechar o edital” a poucas semanas da prova é apontada como um erro comum entre os concurseiros. Cambuy avalia que o excesso de conteúdo tende a comprometer a consolidação do que já foi estudado. “Muitas vezes, com menos edital visto, mas dominando a parte mais densa e recorrente, já é possível se tornar competitivo”, afirma.
A professora do Estratégia Concursos concorda e ressalta que, diante do curto intervalo entre edital e prova, o ideal é priorizar os temas mais cobrados pela banca Cebraspe.
2. Inverta a pirâmide: exercícios no centro do estudo
Na fase final, a estrutura de estudos deve ser reorganizada. A recomendação é reduzir o tempo dedicado à teoria e ampliar a resolução de questões. Cambuy orienta uma divisão aproximada do tempo: 30% para teoria, 50% para exercícios e 20% para revisão.
“O plano precisa priorizar exercícios da Cebraspe e revisões dos pontos-chave das disciplinas”, orienta Júlia. A professora ainda frisa que resolver questões também funciona como método ativo de revisão. “A própria resolução de questões já é uma forma de revisão. E aí você pode utilizar ferramentas como mapas mentais, resumos, para rever aqueles tópicos que nas questões foram os tópicos mais difíceis ou que tiveram uma incidência menor de pontos. Sobre os simulados, o ideal é fazer pelo menos dois a três nessa reta final”.
3. Detalhes e literalidade das leis
Com forte presença de conteúdos jurídicos e legislativos, a prova costuma explorar minúcias normativas, ressalta Júlia. “A banca cobra a literalidade das leis, muitas vezes alterando apenas uma palavra para induzir ao erro”, observa. A professora alerta que áreas como processo legislativo e administração financeira e orçamentária exigem atenção redobrada a prazos, quóruns e redação legal.
4. Simule a exaustão da prova
Além do domínio do conteúdo, o preparo físico e mental é apontado como decisivo. Cambuy defende a realização de simulados completos, especialmente na última semana, para simular a exaustão do dia da prova.
Júlia também ressalta a importância da realização de simulados. Segundo ela, a ferramenta funciona para que o candidato possa cronometrar o tempo de resolução de questões e possa ter então um raio-x do desempenho. “Com base nesses simulados e nas notas obtidas, ele pode reforçar o estudo daquelas matérias nas quais ele teve um resultado insuficiente ou teve uma pontuação menor”, explica a especialista.
Com informações do Correio Braziliense
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