A Seleção que entra em campo nesta terça-feira (25) para enfrentar a Argentina não é nem de longe o melhor time que já formamos. Mas é, seguramente, a que ganha mais dinheiro. Pode vencer os ‘hermanos’ em Buenos Aires? Sim, claro que pode, mas a imensa maioria da torcida – inclusive este locutor que vos fala – está com receio de que aconteça mais uma tragédia.
Mas os jogadores brasileiros provavelmente estão bem tranquilos. Também pudera! Os salários dos caras atingiram um patamar inimaginável há algumas décadas. Vini Jr. recebe mais de 20 milhões de euros por ano no Real Madrid. Marquinhos, no PSG, fatura quase 17 milhões. Rodrygo, Raphinha, Bruno Guimarães, Alisson… todos ganham cifras milionárias. São números que refletem a era da hiperprofissionalização do futebol, onde talento e marketing caminham lado a lado — e, muitas vezes, o segundo fala mais alto.
Mas, como bom brasileiro que cresceu vendo e ouvindo histórias de craques, é impossível não olhar para trás. Houve um tempo em que os jogadores jogavam por amor, por orgulho da camisa. Eram heróis do povo, com chuteiras gastas, salários modestos e uma bola nos pés que valia mais que qualquer cifra de hoje. Nilton Santos, o eterno lateral da Seleção e do Botafogo, morreu longe dos holofotes, sem o conforto que merecia. Garrincha, o anjo das pernas tortas, teve um fim triste, cercado por dificuldades e pelo abandono.
E hoje? Jogadores medianos, que mal completaram uma temporada decente no Brasil, são vendidos a preços astronômicos, vão para a Europa e se tornam milionários antes mesmo de amadurecer como atletas. Ganham status de estrelas em campo e fora dele, mesmo sem entregar o mínimo esperado dentro das quatro linhas. O futebol virou um grande balcão de negócios, onde empresários têm mais poder que treinadores, e onde a paixão pela bola, muitas vezes, cede lugar ao culto da fortuna precoce.
Não se trata de nostalgia barata. O futebol tinha seus problemas, claro. Mas havia algo de mais puro, mais visceral. O torcedor se via no jogador. Hoje, o abismo entre o campo e a arquibancada é também financeiro — e emocional.
Os salários milionários de hoje não são um problema em si. O problema é que, muitas vezes, eles não vêm acompanhados da entrega, do talento e da responsabilidade que a camisa da Seleção exige. O futebol brasileiro enriqueceu no bolso, mas empobreceu na alma. E talvez esse seja o maior desafio da nossa geração: resgatar o espírito de um jogo que sempre foi muito mais do que dinheiro.
E que tal começar exatamente nesse jogo de hoje em Buenos Aires?
Com informações do Jornal de Brasília
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