Novo exame de sangue pode detectar Alzheimer de forma menos invasiva

TaguaCei — Pesquisadores chineses desenvolveram um novo exame de sangue que pode facilitar a detecção da doença de Alzheimer. A técnica identifica a atividade de proteínas amiloides associadas à doença e tem potencial para oferecer uma alternativa mais simples e menos invasiva aos métodos atualmente utilizados para confirmação do diagnóstico.

O estudo foi conduzido por pesquisadores do Hospital Xuanwu, ligado à Universidade de Medicina da Capital, na China, sob liderança do professor Jianping Jia. Os resultados foram publicados no Chinese Medical Journal.

A nova técnica utiliza uma tecnologia chamada amplificação cíclica de proteínas mal enoveladas por ultrassom em tempo real (PMCA). O método procura identificar, no plasma sanguíneo, a chamada “atividade de semeadura” da proteína amiloide, processo em que proteínas alteradas estimulam outras proteínas a assumir a mesma configuração e formar agregados.

Esse mecanismo é considerado um dos processos relacionados à progressão da doença de Alzheimer.

Alternativa a exames mais invasivos

Atualmente, a confirmação biológica do Alzheimer depende principalmente da análise do líquido cefalorraquidiano, obtido por meio de punção lombar, ou de exames de tomografia por emissão de pósitrons (PET).

Embora sejam métodos eficazes, eles podem ser invasivos, caros ou ter disponibilidade limitada. Nesse cenário, os exames de sangue são considerados uma alternativa promissora para ampliar o acesso à investigação da doença.

Segundo os pesquisadores, ainda são poucos os estudos capazes de avaliar diretamente, por meio de uma amostra de sangue, a atividade relacionada à formação dos agregados de proteínas amiloides.

Como funciona o novo teste

A técnica desenvolvida pelos pesquisadores combina ultrassom e fluorescência para acompanhar, em tempo real, a formação e a amplificação dos agregados de proteínas.

O ultrassom cria condições que favorecem a formação de fibrilas e provoca alterações estruturais nas proteínas amiloides normais. Dessa forma, a reação de amplificação se torna mais eficiente.

De acordo com o estudo, o procedimento pode ser concluído em aproximadamente 24 horas e consegue identificar concentrações muito baixas dos agregados.

Teste foi avaliado em 549 pessoas

Para verificar a eficácia do método, os pesquisadores realizaram o trabalho em duas etapas.

A primeira envolveu 120 participantes. Posteriormente, o exame foi aplicado em um grupo independente formado por 429 pessoas. Entre os participantes estavam indivíduos cognitivamente saudáveis, pacientes com comprometimento cognitivo leve (CCL) provocado pelo Alzheimer, pessoas diagnosticadas com a doença e pacientes com outros tipos de demência.

Os resultados apontaram diferenças importantes entre os grupos.

Pessoas com Alzheimer apresentaram atividade de semeadura da proteína amiloide no plasma significativamente maior do que indivíduos cognitivamente saudáveis e pacientes com demências de outras causas.

O mesmo padrão foi identificado entre pessoas com comprometimento cognitivo leve relacionado ao Alzheimer. O resultado indica que a técnica pode ser capaz de identificar alterações associadas à doença ainda em estágios iniciais.

Possível uso na detecção precoce

Para os pesquisadores, uma das principais vantagens do método é transformar um mecanismo complexo relacionado ao Alzheimer em um possível biomarcador obtido por meio de uma simples coleta de sangue.

Caso a técnica seja validada e incorporada à prática clínica, poderá facilitar a triagem de pessoas em larga escala e ampliar o acesso à investigação da doença, inclusive em serviços de atenção básica.

O exame também poderá contribuir para a identificação precoce do Alzheimer e para o acompanhamento da evolução da doença. No entanto, os resultados ainda fazem parte da pesquisa científica, e a utilização rotineira da técnica dependerá de novas avaliações e validações.

Fonte: Correio Braziliense, com informações da pesquisa publicada no Chinese Medical Journal.

Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.

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