JornaTaguceai — Lula avança em redutos bolsonaristas enquanto governo articula aprovação do fim da escala 6×1

Pesquisas apontam crescimento de Lula em estados estratégicos, enquanto Planalto busca maioria no Senado para aprovar mudança na jornada de trabalho

Segundo informações do Vermelho, com base na nova rodada de pesquisas estaduais da Quaest, e do Brasil 247, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega a um momento decisivo da disputa eleitoral de 2026 combinando recuperação em importantes redutos bolsonaristas e uma forte articulação política no Congresso Nacional para avançar com pautas de interesse dos trabalhadores.

Levantamentos divulgados nesta semana mostram Lula encurtando a distância para Flávio Bolsonaro (PL) em estados considerados fundamentais para a eleição presidencial. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, os dois aparecem tecnicamente empatados dentro da margem de erro. No Distrito Federal, tradicionalmente marcado por forte votação bolsonarista, Lula aparece numericamente à frente.

No cenário apresentado pela Quaest, Lula registra 28% das intenções de voto no Distrito Federal, contra 26% de Flávio Bolsonaro e 13% de Ronaldo Caiado. A margem de erro é de três pontos percentuais.

Lula reduz vantagem bolsonarista no Sudeste

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, Flávio Bolsonaro aparece com 30%, enquanto Lula registra 29%. No Rio de Janeiro, o senador do PL tem 31%, contra 29% do presidente. Já em Minas Gerais, Flávio aparece com 31% e Lula com 30%.

Os números representam uma mudança em relação ao levantamento anterior, especialmente em São Paulo, onde a vantagem de Flávio havia sido maior.

Enquanto o cenário fica mais equilibrado no Sudeste, Lula mantém ampla vantagem no Nordeste. Na pesquisa citada pelo Vermelho, o presidente aparece com 58% contra 20% de Flávio no Maranhão; 54% a 19% em Pernambuco; 54% a 20% no Rio Grande do Norte; 50% a 21% na Paraíba; e 44% a 29% em Alagoas.

O levantamento também aponta vantagem de Lula entre eleitores de menor renda, beneficiários do Bolsa Família, mulheres e católicos.

Fim da escala 6×1 entra no centro da estratégia

Paralelamente ao cenário eleitoral, o governo Lula intensificou a articulação no Congresso para garantir a aprovação da proposta que acaba com a escala 6×1.

A PEC 221/2019, já aprovada pela Câmara dos Deputados, prevê o fim do modelo de seis dias de trabalho para um de descanso e a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial.

De acordo com o Brasil 247, o governo avalia ter uma margem significativa de votos no Senado. Para a aprovação de uma PEC são necessários 49 votos, mas integrantes da articulação política do Planalto trabalham com a possibilidade de ultrapassar os 65 votos, incluindo parlamentares de partidos de centro-direita.

O objetivo do governo é fazer com que a proposta avance pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, seja levada ao plenário.

Acordo entre Lula, Motta e Alcolumbre acelera tramitação

A articulação ganhou força após uma reunião entre Lula, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), realizada no Palácio da Alvorada.

O encontro definiu uma pauta de esforço concentrado do Congresso para a próxima semana, incluindo a PEC do fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública, medidas relacionadas à chamada “taxa das blusinhas” e projetos envolvendo minerais críticos e estratégicos.

O relator da PEC 221 no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável à proposta, mantendo o texto aprovado anteriormente pela Câmara e rejeitando mudanças apresentadas por parlamentares que poderiam obrigar a matéria a retornar para nova análise dos deputados.

A estratégia do governo é transformar o fim da escala 6×1 em uma das principais pautas sociais do período eleitoral, aproximando a agenda econômica e trabalhista das demandas cotidianas de milhões de brasileiros.

Uma disputa que vai além das pesquisas

O cenário coloca Lula diante de uma disputa mais competitiva nos estados do Sudeste, mas também mostra dificuldades para o campo bolsonarista de manter a mesma força eleitoral registrada em 2022.

Ao mesmo tempo, a tentativa de aprovar o fim da escala 6×1 antes do primeiro turno pode representar uma importante vitória política para o governo. A proposta atinge diretamente trabalhadores que enfrentam jornadas extensas e buscam mais tempo para descanso, família, estudos e lazer.

No Distrito Federal, onde Lula aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro na pesquisa, os números ganham significado especial por se tratar de uma região que tradicionalmente apresenta forte desempenho eleitoral da direita.

Com a aproximação do início da propaganda eleitoral e a intensificação das atividades de campanha, a combinação entre recuperação nas pesquisas e aprovação de medidas populares pode se tornar um dos principais elementos da estratégia de Lula para buscar um novo mandato.

🖋️ Edição: Ceilândia em Alerta e Jornal TaguaCei

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