Flávio Bolsonaro recorre ao TSE contra postagem de Antonio Tabet sobre ‘família miliciana’

Flávio Bolsonaro aparece em fotografia utilizada para ilustrar reportagem sobre decisão do TSE envolvendo publicação de Antonio Tabet sobre Nossa Senhora Aparecida.
Crédito da foto: Ton Molina/Agência Senado.

TaguaCei — O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra uma publicação do humorista Antonio Tabet nas redes sociais. O conteúdo não mencionava nominalmente Flávio Bolsonaro, mas utilizava a expressão “família miliciana” ao comentar uma controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida.

A postagem de Tabet dizia: “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”, acompanhada de uma imagem da santa. Segundo informações divulgadas sobre o caso, a publicação foi feita em meio à circulação de informações sobre uma suposta intenção de Flávio Bolsonaro de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

O processo eleitoral foi analisado em caráter liminar pelo ministro André Mendonça, do TSE. Na sexta-feira (25), o magistrado determinou a remoção da publicação e proibiu a divulgação de conteúdo substancialmente semelhante, estabelecendo multa de R$ 30 mil em caso de descumprimento.

Na decisão, Mendonça considerou que a publicação apresentava “expressões de elevada carga crítica e depreciativa” e entendeu, em análise preliminar, que o conteúdo poderia interferir na formação da vontade do eleitor. O ministro também levou em consideração o alcance da publicação, que havia registrado cerca de 195 mil visualizações, 2 mil compartilhamentos e 11 mil curtidas.

Defesa de Tabet contesta decisão

A defesa de Antonio Tabet contestou a liminar e afirmou que a publicação não citava Flávio Bolsonaro nem sua família. Os advogados sustentaram que uma crítica genérica foi interpretada como direcionada especificamente ao candidato e anunciaram que irão recorrer da decisão.

Segundo a defesa, o conteúdo estaria protegido pela liberdade de expressão e pelo direito à crítica política. Os advogados também questionaram juridicamente a associação feita entre a expressão utilizada na postagem e o candidato.

Origem da controvérsia

A publicação de Tabet ocorreu após circular nas redes sociais uma informação sobre uma suposta intenção de Flávio Bolsonaro de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil caso fosse eleito.

Entre os elementos que alimentaram a repercussão está uma declaração atribuída ao candidato de que um de seus primeiros atos, se eleito, seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Também voltou a circular um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado federal Vitorio Galli, que propunha alterar a legislação relacionada ao feriado de 12 de outubro e à denominação de Nossa Senhora Aparecida.

A decisão de Mendonça considerou, em caráter preliminar, que a informação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar da santa o título de Padroeira do Brasil não encontrava suporte nos elementos apresentados no processo.

O caso envolve ainda discussões sobre eleições 2026, propaganda eleitoral e os limites da liberdade de expressão durante o período eleitoral.

Fonte: Vermelho, com informações complementares de veículos jornalísticos citados na reportagem.

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