TaguaCei — Derrotado no segundo turno da disputa pelo Governo do Distrito Federal, Leandro Grass (PT) afirmou que continuará cobrando esclarecimentos sobre a situação do Banco de Brasília (BRB) e trabalhará para reorganizar a oposição ao governo de Celina Leão (PP). O ex-candidato também defendeu a mobilização popular e a atuação dos parlamentares na fiscalização da administração pública.
Durante a coletiva de imprensa após a eleição, Grass afirmou que pretende continuar atuando na política do Distrito Federal. Ele destacou a união de partidos e movimentos progressistas durante a campanha e reafirmou o compromisso com a reorganização das forças de oposição. O petista também declarou que pretende continuar na política e reorganizar o campo progressista no Distrito Federal.
“Eu costumo dizer que nem sempre a vitória eleitoral é também uma vitória política, nem sempre uma derrota eleitoral é uma derrota política”, declarou.
Diferença foi de 248 mil votos
Celina Leão foi reeleita governadora do Distrito Federal com 987.142 votos, correspondentes a 57,18% dos votos válidos. Grass recebeu 739.130 votos, o equivalente a 42,82%. A diferença entre os dois candidatos foi de 248.012 votos.
No primeiro turno, o petista havia conquistado 569.930 votos. Na segunda etapa, ampliou sua votação em 169.200 votos. Apesar do crescimento, não conseguiu superar a candidata do PP.
Grass destacou a participação de partidos, movimentos sociais e apoiadores na campanha. Para ele, a mobilização nas ruas e a articulação entre diferentes setores políticos demonstraram a capacidade de organização do campo progressista no Distrito Federal.
Crise do BRB continuará na pauta da oposição
A situação do Banco de Brasília foi um dos principais temas abordados por Grass durante a coletiva. Ele afirmou que continuará cobrando explicações sobre as operações envolvendo o BRB e o Banco Master, além de defender a apuração de possíveis irregularidades.
“Há muitas respostas ainda para serem dadas para Brasília. Ainda precisamos saber cadê o dinheiro do BRB, ainda precisamos saber cadê o dinheiro da saúde”, declarou.
O ex-candidato também cobrou respostas do Ministério Público, do governo distrital, da Câmara Legislativa e do Judiciário. Segundo ele, os questionamentos precisam continuar mesmo após o encerramento da disputa eleitoral.
Um dos pontos levantados pela oposição envolve a transferência de R$ 120 milhões do Fundo de Saúde do Distrito Federal para uma aplicação financeira no BRB. O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) solicitou esclarecimentos ao governo sobre a operação.
O caso envolve a destinação de recursos públicos e os procedimentos adotados na movimentação financeira. A apuração dos fatos e a eventual responsabilização de gestores dependem da análise dos órgãos competentes.
Grass afirmou que pretende acompanhar os desdobramentos e manter a cobrança por explicações. O assunto também envolve questionamentos sobre a transferência de R$ 120 milhões do Fundo de Saúde para o BRB.
Oposição aposta em mandatos e mobilização popular
A reorganização da oposição deverá contar com a participação de parlamentares da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), entre eles Gabriel Magno e Chico Vigilante, do PT; Max Maciel e Fábio Félix, do Psol; Ricardo Vale, do PT; e Dayse Amarilio, do PSB.
Grass avaliou que os mandatos parlamentares terão papel importante no acompanhamento das ações do Executivo e na defesa das propostas apresentadas durante a campanha. Ele ressaltou, porém, que a mobilização da sociedade será fundamental para manter a pressão sobre o governo.
O petista também relacionou as demandas da população a problemas em áreas como saúde, educação e transporte público. Ele citou dificuldades de acesso a consultas médicas, tratamentos contra o câncer e vagas em creches como exemplos de questões que precisam permanecer no centro do debate político.
Na avaliação de Grass, a campanha reuniu eleitores de diferentes perfis, inclusive pessoas que não se identificam necessariamente com a esquerda, mas demonstram insatisfação com os serviços públicos.
Campanha mobilizou apoiadores
Ao fazer um balanço da disputa, Grass destacou o trabalho nas ruas e o contato direto com os eleitores. Segundo ele, a campanha conseguiu ampliar sua votação durante o segundo turno, apesar da derrota.
O petista ressaltou a participação de jovens, estudantes, famílias, coletivos e militantes. Para ele, a mobilização ultrapassou os limites das estruturas partidárias e reuniu pessoas interessadas em mudanças na administração do Distrito Federal.
“A nossa campanha se superou na rua, se superou na presença, na conversa, no olho a olho, no diálogo, no convencimento”, afirmou.
Apesar do resultado, Grass disse que pretende continuar defendendo as propostas apresentadas durante a campanha e acompanhar as ações do governo de Celina Leão. Ele também reafirmou o compromisso com a fiscalização da administração pública e a organização de grupos políticos e sociais.
“Nós não vamos desistir do DF”, concluiu.
Fonte: Brasil de Fato



