Ao menos 20 ministros devem deixar o governo até 4 de abril, data final de desincompatibilização, para concorrer nas eleições deste ano. A titular do Meio Ambiente, Marina Silva, por exemplo, almeja disputar uma cadeira no Senado. Ela terá de definir, porém, qual será o seu novo partido, já que decidiu deixar a Rede após divergências com a deputada federal Heloísa Helena (Rede-RJ).
Segundo aliados de Marina, ela conversa com, ao menos, três legendas: PSol, PSB e PT. O desejo da ministra de disputar o Senado pode esbarra na eventual candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT-SP), a um lugar na Casa. Caso isso ocorra, conforme apurou o Correio, Marina, “em consideração” ao colega se lançaria para deputada federal por São Paulo.
Independentemente da escolha entre Senado e Câmara, Marina vai ficar no ministério até o fim do prazo de desincompatibilização. A expectativa é de que ela seja, então, substituída pelo secretário-executivo João Paulo Capobianco.
Haddad, por sua vez, deixará o cargo possivelmente no mês que vem. A vaga será ocupada pelo número 2 da Fazenda, Dario Durigan.
Quando questionado sobre qual cargo vai disputar, o ministro se limita a dizer que pretende “ajudar” Lula a buscar a reeleição. O nome dele, porém, ganha força na disputa de eleições para o Senado.
A ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), é uma das figuras-chave do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que já confirmaram o desejo de disputar o Senado pelo Paraná, estado governado pelo presidenciável Ratinho Júnior (PSD).
Segundo interlocutores da Secretaria, a petista ficará no posto até o início de abril. Ela dará lugar a Olavo Noleto, chefe do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, grupo conhecido como “Conselhão”.
Figura conhecida em outros mandatos do líder petista, Noleto atuou como secretário-executivo da Secretaria de Relações Internacionais quando Alexandre Padilha — atual titular da Saúde — ainda comandava a SRI. Ele deixou o cargo no início do ano passado.
Outro ministério-chave com baixa prevista será o da Casa Civil. O titular, Rui Costa (PT-BA), deve se candidatar ao Senado. Governada pelo petista e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues, a Bahia é vista pelo PT como um dos estados estratégicos para a campanha de quarto mandato de Lula. Com o cargo da Casa Civil futuramente vago, a expectativa é de que a número 2 da pasta, Míriam Belchior, ocupe o posto.
A lista de cotados a concorrer a cargos no Senado nas eleições deste ano ainda abrange os ministros Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária), André Fufuca (Esporte) e Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional).
Dessa lista, apenas o titular de Portos e Aeroportos, filiado ao Republicanos, confirmou que deixará oficialmente o ministério no início de abril para iniciar sua pré-campanha ao Senado por Pernambuco. Já Góes (PDT), que almeja concorrer pelo Pará; Fufuca (PP), pelo Maranhão, e Fávaro (PSD), por Mato Grosso, não confirmaram se vão ficar em seus respectivos ministérios até o prazo final de desincompatibilização.
Quanto aos substitutos, há expectativas as pastas de Portos e Aeroportos e da Integração Regional sejam ocupadas por Tomé Monteiro Franca e Valder de Moura, respectivamente. Em relação aos ministérios da Agricultura e do Esporte, ainda não foram ventilados nomes de substitutos.
Já o ministro da Educação, Camilo Santana (PT-CE), anunciou que aguarda autorização de Lula para sua saída da pasta. Embora ele considere candidatar-se ao Senado, há sinalizações de que concorra ao governo do Ceará.
Outros cotados para candidatura ao Senado são os ministros do Planejamento, Simone Tebet (MDB-MS), e de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG).
Além dos nomes em negociação para disputa a um cargo no Senado, há ministros que planejam concorrer à Câmara ou a governos estaduais.
Na corrida por Executivos estaduais, nomes como Renan Filho, dos Transportes (MDB-AL) e Márcio França (PSB-SP), do Empreendedorismo, são cotados para concorrer ao governo dos respectivos estados. Eles devem ser substituídos por seus secretários-executivos: George Santoro e Francisco Alencar.
Já para a Câmara, a lista conta com Jader Filho, de Cidades (MDB-PA), Anielle Franco, da Igualdade Racial (PT-RJ), André de Paula, da Pesca (PSD-PE), Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário (PT-SP), Wolney Queiroz, da Previdência Social (PDT-PE), e Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas (PSol-SP). Macaé Evaristo (PT-MG), ministra dos Direitos Humanos, deve entrar na corrida pelo cargo de deputada estadual.
Com informações do Correio Braziliense
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