Em entrevista ao TaguaCei, distrital Dayse Amarilio diz que debate em torno da saúde pública precisa sair do discurso e ir para prática; também comentou sobre a mulher na política: ‘É aqui que a gente discute, reflete, cobra a regulamentação de leis’

A deputada distrital Dayse Amarilio (PSB) disse, em entrevista ao TaguaCei, nesta terça-feira (27), que a 6ª edição da Semana Legislativa da Mulher, que acontece na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) entre os dias 27 e 29 de maio, é mais uma atividade que a Casa realiza para falar sobre a importância da participação feminina na política e no debate público.

De acordo com a distrital, mesmo a mulher sendo maioria na população brasileira e também em relação ao número de eleitores, sua presença nos espaços públicos e de poder ainda é baixo.

“Eu falo que todo espaço que a gente destina para falar sobre a mulher e falar de legislativo é sempre muito importante. Eu acho que a representação aqui ela expressa a sociedade. Então, nós somos muito tímidas ainda na participação política e aqui que a gente, na verdade, representa e legisla e fiscaliza. Então, esse momento é sempre importante para falar do quão é necessário que a mulher esteja mais nesse espaço. É aqui que a gente discute, a gente reflete, a gente cobra a regulamentação de algumas leis”, diz.

A deputada ressaltou que essa baixa participação de certa forma é apoiada pela própria legislação eleitoral que acaba favorecendo mais os homens quando se trata de disputar algum cargo público, o que, logicamente, contribui para esse nível cada vez mais baixo de mulheres no debate público.

“As mulheres tem que despertar. Na hora que as mulheres despertarem, entenderem que nós somos 52%, que mulher tem que votar em mulher, aí nós vamos tomar e entrar nesses espaços que são espaços importantes para as mulheres. Não que os homens não possam estar, pelo contrário, a gente tem homens de verdade, mas para que a gente possa falar e representar e ser a cara do Brasil, nós precisamos ter mais mulheres, precisamos ter mais mulheres paradas, mulheres negras, mulheres mais velhas, mulheres mais novas. É por isso que a gente precisa ter voz para que a gente possa ter ver isso”, afirma.

Mandato

A deputada comentou sobre seu mandato e destacou que mesmo que a função do Legislativo é legislar em prol da sociedade, essa função acaba sendo muito reduzida, ficando assim, somente a segunda função fiscalizar, que, como ela ressalta, é uma ferramenta importante que a sociedade tem para poder acompanhar a qualidade dos serviços públicos.

“Eu acho que mais do que legislar, que a gente pode legislar pouco, a gente tem a questão dos vistos de iniciativa, eu acho que a questão da gente é fiscalizar para tentar apresentar soluções, mas não é tem fácil. A saúde, por exemplo, está muito ruim, não é uma prioridade no orçamento. E qual é a prioridade de orçamento? E eu acho que é isso. Eu acho que a política já é muito difícil. A gente tem que fazer mais por aquilo que a gente realmente acredita, que é lutar, representar, fiscalizar. Isso a gente tem feito, tem trabalhado muito”, garante a distrital.

Saúde

Por ser enfermeira de formação, Dayse desde do início de seu mandato se posicionou como uma defensora desse segmento. Na CLDF, ela é também a presidente da Comissão de Saúde, o que deu à distrital a possibilidade de acompanhar de perto a situação da prestação do serviço público de saúde no DF.

De acordo com ela, um dos motivos do serviço de saúde pública no DF ser tão criticado é fato de que muitas áreas do setor foram terceirizadas ou atuam com baixo número de servidores. “Nós somos uma resistência aqui, não é possível que essa casa vai aprovar mais de qualquer tipo de terceirização, porque agora nós já estamos com a quarteirização do serviço do Iges para UTI Vida que não presta serviço. Então, a gente não vai deixar, mas a gente tem cobrado fiscalizado exatamente isso”, argumenta.

A distrital também pontou que a baixo número de servidores nos serviços públicos de saúde do DF é um grave problema e uma das razões para que a qualidade do serviço seja cada vez mais baixa. Segundo ela, somente em relação aos técnicos de enfermagem, o déficit de carga horária da Secretaria de Saúde do DF nos hospitais é de 6 mil horas.  

“As pessoas estão adoecidas, não só os pacientes, os servidores estão apoiando nas faltas das unidades pelo caos, que a gente vê que a saúde ela é prioridade na fala, mas o que a gente quer ver é no orçamento”, lembra.

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