Ex-cabeleireira diz que escova progressiva brasileira prejudicou sua saúde

A ex-cabeleireira britânica Louisa Curtis, de 55 anos, afirma que desenvolveu graves problemas de saúde após anos de exposição ao gás formaldeído durante a realização de tratamentos conhecidos como escova progressiva brasileira. Moradora de Milton Keynes, na Inglaterra, ela relata que passou a ter dificuldades respiratórias e problemas de mobilidade e que ficou incapacitada para trabalhar, segundo reportagem da BBC.

Curtis conta que começou a realizar regularmente os tratamentos em 2008. Segundo ela, pouco tempo depois surgiram sintomas que passaram a afetar diferentes áreas de sua vida.

Entre os problemas relatados estão dores de cabeça, dificuldade para respirar, dor no peito, fadiga crônica, erupções na pele, inchaço e dores nas articulações, irritação nos olhos, dificuldades de memória e problemas de mobilidade.

A britânica afirma que procurou atendimento médico diversas vezes e passou por exames, mas durante anos não recebeu uma explicação para a deterioração de sua saúde.

Em março deste ano, Curtis foi hospitalizada após apresentar dificuldades para respirar depois de realizar um tratamento de alisamento. Segundo ela, os médicos informaram que havia sofrido lesões no sistema respiratório provocadas pela exposição aos gases liberados durante o procedimento.

“Minha saúde está em um estado inacreditável. Vivo com dores constantes; tenho dificuldades de locomoção e mal consigo subir escadas”, afirmou.

A relação entre os problemas de saúde e os tratamentos teria sido apontada por um médico apenas recentemente. Para Curtis, a descoberta ajudou a explicar sintomas que ela enfrentava havia anos.

Como funciona a escova progressiva

Os tratamentos conhecidos como escova progressiva brasileira utilizam fórmulas à base de queratina aplicadas aos cabelos com o objetivo de reduzir o frizz e deixar os fios mais lisos. A técnica recebeu esse nome por ter sido desenvolvida no Brasil.

Durante alguns procedimentos, substâncias químicas podem ser liberadas em forma de gás quando o produto é aquecido. Entre elas está o formaldeído, composto químico cuja exposição pode provocar irritação e outros efeitos à saúde, dependendo da concentração e da duração do contato.

Regras no Reino Unido

O governo britânico adotou regras mais rigorosas de rotulagem para produtos cosméticos que contenham conservantes capazes de liberar formaldeído. A medida busca ampliar a proteção dos consumidores, especialmente daqueles que apresentam sensibilidade à substância.

O formaldeído foi proibido como ingrediente cosmético pela legislação da União Europeia publicada em 2019, regra que também se aplicava ao Reino Unido na época. Alguns conservantes que liberam pequenas quantidades da substância, porém, continuam permitidos em determinadas condições.

As regras mais recentes reduziram o limite a partir do qual a presença de formaldeído deve ser informada no rótulo. O percentual caiu de 0,05%, equivalente a 500 partes por milhão, para 0,001%, ou 10 partes por milhão, de formaldeído livre no produto final.

Orientação das autoridades

A Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UK Health Security Agency) afirma que a população pode ser exposta ao formaldeído por meio do contato com produtos de consumo que contenham a substância.

Segundo o órgão, a exposição a baixos níveis de formaldeído durante o uso correto desses produtos não deve provocar efeitos adversos à saúde.

A Associação de Cosméticos, Artigos de Higiene Pessoal e Perfumaria do Reino Unido também afirma que a legislação estabelece regras para garantir a segurança dos produtos cosméticos e de seus ingredientes. A entidade destaca que as normas restringem o uso de determinadas substâncias e proíbem ingredientes considerados perigosos.

Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.

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