Ministro do STF afirmou que decisão busca preservar a Corte e evitar especulações; ele continuará acompanhando a sessão e poderá se manifestar durante os debates.
Taguacei – O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou-se suspeito, por motivo de foro íntimo, para participar do julgamento que analisa a possibilidade de abertura de uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
A decisão foi anunciada nesta terça-feira (15), durante sessão da Corte que avalia a validade de um relatório da Polícia Federal com mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, relacionadas a Moraes.
Segundo Toffoli, a decisão foi tomada para evitar especulações e preservar a imagem do Supremo. O ministro destacou que sua declaração de suspeição não decorre de impedimento legal, mas de uma avaliação pessoal sobre sua participação no julgamento.
Apesar de não votar, Toffoli afirmou que permanecerá na sessão e poderá pedir a palavra durante os debates, caso considere necessário.
O ministro Nunes Marques também não participa da votação. Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele declarou que não se sentia confortável em participar da análise devido à proximidade das eleições e deixou o plenário.
Relações investigadas pela Polícia Federal
A decisão de Toffoli ocorre em meio a informações de uma investigação da Polícia Federal sobre possíveis relações financeiras envolvendo o ministro e Daniel Vorcaro.
Segundo os relatórios citados pelo DCM, a PF investiga a possibilidade de Toffoli ser beneficiário final ou proprietário de fato do fundo de investimento Arleen. O fundo teria recebido R$ 35 milhões de Vorcaro.
Ainda de acordo com a investigação, o Arleen era sócio do resort Tayayá, empreendimento ligado à família de Toffoli. Posteriormente, as cotas do fundo teriam sido transferidas para um empresário próximo ao ministro, enquanto cerca de R$ 34 milhões foram destinados a uma holding localizada nas Ilhas Virgens Britânicas.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicariam que Vorcaro acompanhava os repasses financeiros.
A investigação também aponta que Toffoli atuou como relator de processos considerados sensíveis no STF envolvendo interesses do Banco Master.
A defesa do ministro nega irregularidades e afirma que Toffoli nunca recebeu valores ilícitos e que não mantém relação de intimidade com Daniel Vorcaro ou seus familiares.
Fonte: Diário do Centro do Mundo



