Pesquisa em ratos aponta ligação entre expiração forçada, atividade cerebral no tronco encefálico e aumento da pressão arterial
Um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Auckland, da Austrália, identificou uma ligação inesperada entre a atividade cerebral e pressão alta a partir de um estudo com camundongos. Segundo a pesquisa, o quadro tem conexão com a respiração.
Os cientistas analisaram uma região específica do tronco encefálico associada ao controle automático da respiração. Os resultados indicaram uma participação direta desse núcleo no aumento da pressão arterial. A descoberta sugere uma relação entre os padrões respiratórios e a regulação vascular.
O trabalho publicado na revista Circulation Research em dezembro se concentrou na região parafacial lateral, que concentra o comando de funções involuntárias do corpo. As evidências indicam uma conexão dos nervos dessa região entre os responsáveis pela contração de vasos sanguíneos e os comandos da respiração.
“A região parafacial lateral faz com que expiremos durante o riso, o exercício ou a tosse, não na expiração do dia a dia. Mas nossa descoberta indica que essa área também se conecta a nervos que contraem os vasos sanguíneos, um mecanismo que aumenta a pressão arterial”, afirma o cardiologista Julian Paton, pesquisador principal do estudo, em comunicado à imprensa.
A relação entre a respiração e a pressão alta
A associação entre respiração ativa e pressão arterial observada nos camundongos surgiu como ponto central do estudo. “Descobrimos que, em condições de pressão arterial elevada, a região parafacial lateral é ativada e, quando nossa equipe desativou essa região, a pressão arterial voltou aos níveis normais”, afirma Paton.
Como se trata de uma região muito profunda do cérebro, com poucas mudanças entre as espécies de mamíferos, há indícios de que a mesma conexão possa ocorrer também em humanos, mas transformar isso em um tratamento médico de fato ainda é um desafio.
“Atacar o cérebro com medicamentos é complicado porque eles agem em todo o cérebro e não em uma região específica, como o núcleo parafacial, por isso nossos estímulos se deram externos ao cérebro, em reações em cadeia de estímulos químicos para levar especificamente à ativação dessa zona cerebral”, diz Paton.
Os pesquisadores apontam um possível benefício da pesquisa, caso os resultados se comprovem e se encontre uma alternativa terapêutica eficaz, para pessoas com apneia do sono e pressão alta. Em outros estudos, os pacientes com essa condição apresentam ativação da região pesquisada do cérebro durante pausas respiratórias noturnas.
Com informações do Metrópoles
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