Estudo inédito mostra que antivirais usados contra o HIV podem prevenir e até curar o vírus HTLV-1, que afeta 10 milhões de pessoas no mundo
Um estudo inédito coliderado por pesquisadores australianos está no caminho de encontrar tratamentos preventivos e até uma cura para o vírus HTLV-1, potencialmente fatal a depender do paciente. Pesquisas seguidas por testes realizados recentemente trouxeram resultados expressivos.
O estudo, publicado no site ‘Cell Press’, foi realizado em camundongos. Por meio dos processos testados, foi descoberto que os medicamentos já existentes para combater o vírus do HIV poderiam suprimir a transmissão do HTLV-1. As pesquisas são realizadas pelo Instituto de pesquisa médica Walter e Eliza (WEHI, sigla em inglês) em parceria com o Instituto Peter Doherty para Infecção e Imunidade (Instituto Doherty).
Os estudos também identificaram um novo medicamento, capaz de causar a eliminação de células infectadas com HTLV-1, e separá-las das demais, saudáveis. E, dessa forma, prevenir a progressão da doença.
Testes
As testagens realizadas nos pequenos animais estabeleceram que, no momento em que os antivirais para o HIV foram usados, por meio de uma combinação com um composto que induz a morte celular, as células infectadas foram mortas. O ato sinalizou uma a possibilidade da existência de uma estratégia curativa futura para a doença.
Há, agora, a possibilidade da entrada destes medicamentos em ensaios clínicos. O ato poderia prevenir o estabelecimento de níveis patogênicos de HTLV-1. Tudo isso é possível pois pois o vírus em questão infecta o mesmo tipo de célula que o HIV — as chamadas célular ‘T’. Elas se caracterizam como uma espécie imunológica do sangue, que ajuda o corpo a combater infecções.
A possibilidade de sucesso foi materializada assim que a equipe colaborativa isolou o vírus e, a partir dele, desenvolveu o primeiro modelo de camundongo humanizado do mundo para o HTLV-1. Isso possibilitou o estudo da maneira com que o vírus se comporta em um organismo vivo, cujo sistema imunológico se parece com o dos seres humanos.
Marcel Doerflinger, coautor principal e chefe do laboratório WHI, afirma que os resultados podem ajudar a encontrar um tratamento para a doença, assim como uma estratégia de prevenção. “Nosso estudo marca a primeira vez que um grupo de pesquisa conseguiu suprimir esse vírus em um organismo vivo. Como os sintomas do HTLV-1 podem levar décadas para aparecer, quando a pessoa descobre que tem a infecção, o dano imunológico já está em pleno andamento”, afirmou.
“Suprimir o vírus na transmissão nos permitiria detê-lo antes que ele tivesse a chance de causar danos irreversíveis à função imunológica, levando à doença e à morte prematura”, complementou.
Ainda de acordo com o portal, a equipe de pesquisa, atualmente, atua em negociações com empresas responsáveis pelos antivirais para HIV utilizados nas testagens, para saber da possibilidade da inclusão de pacientes com HTLV-1 em ensaios clínicos.
Caso recebam a autorização, farão com que o medicamento se torne o primeiro em métodos de profilaxia pré-exposição aprovado diante de casos da doença. O esforço para avançar com a pesquisa já acontece há 10 anos
De acordo com o Ministério da Saúde, o HTLV foi o primeiro retrovírus humano oncogênico causador de uma doença infecciosa. Foi descoberto na década de 1980. Cerca de 10 milhões de pessoas no mundo convivem com o vírus. Ele é, além disso, endêmico entre muitas comunidades das Primeiras Nações ao redor do mundo, incluindo na Austrália Central.
Com informações do Correio Braziliense
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